A morte do cachorro Orelha, na Praia Brava, em Santa Catarina, expõe o que de pior há na espécie humana. Somos capazes de fazer mal gratuito a outros seres vivos – estuprar, matar, torturar e afins. E não é só contra outras pessoas. Os pelotenses certamente têm viva na memória o caso da cadela Preta, em 2005, que ganhou repercussão nacional e foi emblemático na luta pelos direitos dos animais. Mais recentemente, houve o caso do cão Costela, morto a pauladas.
O fato é que, por mais que muita gente torça o nariz para o “ganho de direitos” por parte dos bichos, bem como o espaço que ocupa no debate político, essa é sim uma pauta necessária. E mais do que animal, de humanidade.
O caso ocorreu no dia 4 de janeiro e só veio a público nos últimos dias pela força do barulho feito por defensores. Fosse em outra época, talvez teria passado batido. Felizmente, hoje se grita diante de tamanha crueldade. E, muito além do consumo de carne, do veganismo e afins que acabam rondando esse debate, é importante lutar contra a maldade, pura e simples. Agredir um ser vivo, tirar uma vida e praticar violência pelo bel prazer é um indicativo, no mínimo, de que há algo errado com a pessoa. Nesse caso, que envolve adolescentes, passar a mão e aliviar é perigoso. Que futuro esses rapazes terão? A punição tem que ser no mínimo educativa para que isso não se repita – ou até que se agrave.
Combater a violência e criminalizá-la é fazer com que o próprio ser humano seja melhor. Com conhecimento há responsabilidade. Seguir cometendo equívocos que resultem no sofrimento de outras vidas é agir de maneira retrógrada e idiota. Formar as próximas gerações com essa consciência, bem como estimular e patrocinar legislações que levem essa temática em consideração é o básico diante da inteligência humana. Um sinal de evolução.
Diante disso, cabe a conscientização e o estímulo a essa pauta passe por todos. Desde o indivíduo até o poder público. Cidades, por motivos óbvios, vêm dando cada vez mais espaço para a causa animal. Até empresas têm olhado para esse fator como algo que impacta tanto nos negócios quanto na qualidade de vida dos funcionários.