Seis meses após acordo firmado entre a direção do Hospital Doutor Ernesto Maurício Arndt (Hoema) e os médicos para parcelamento de salários atrasados, a situação financeira da casa de saúde segue preocupando o Executivo de Morro Redondo.
Enquanto a pendência com os médicos foi parcialmente equacionada, servidores e profissionais da enfermagem ainda acumulam atrasos salariais que chegam a três meses, além de outros valores pendentes há mais de um ano. A entidade aguarda um retorno do Estado para se manifestar. Pelo que foi apurado pela reportagem, 23 leitos devem ser inaugurados na segunda quinzena de fevereiro.
A vice-prefeita de Morro Redondo, Angélica Boettge dos Santos (PSDB) avalia o cenário como “bastante preocupante”, especialmente por se tratar de um serviço essencial para o município. Segundo ela, a prefeitura mantém diálogo constante com a direção do hospital e, sempre que possível, realiza repasses extras para auxiliar no custeio. “A cada mês há conversas com a direção e, quando é possível, a gente sempre repassa a mais”, garante.
Uma das medidas adotadas para amenizar a crise foi a captação de uma emenda parlamentar do deputado Daniel Trzeciak (PSDB), no valor total de R$ 400 mil. O recurso está sendo repassado ao hospital em parcelas mensais de R$ 30 mil. Conforme o Executivo, esse valor tem sido utilizado para manter os salários em dia e também possibilitou o pagamento do 13º salário, quitado em duas parcelas. Ainda assim, permanecem em aberto três meses de vencimentos dos funcionários.
De acordo com relatos de funcionários, além do atraso, há débitos referentes ao piso da enfermagem e horas extras que se acumulam desde 2024. Trabalhadores também relatam constrangimentos ao cobrarem os pagamentos, com respostas que desestimulam reivindicações formais.
Acordos
Angélica destaca que a normalização da situação depende também da ampliação da produção hospitalar. Embora o Hoema esteja com a estrutura física concluída, para acessar maiores volumes de recursos o hospital precisa registrar produção, o que exige a abertura de leitos. “É necessário atingir um número mínimo de leitos abertos para que, nos próximos anos, deputados da região possam destinar aportes maiores”, explica. Atualmente, o teto para recebimento de emendas parlamentares é inferior a R$ 150 mil. A administração da casa de saúde está em contato com o Estado e aguarda com expectativa sobre a possibilidade de credenciamento. Enquanto isso, a inauguração dos novos leitos, que seria dia 10 de janeiro, foi adiado para após o Carnaval.
Apoio
Apesar das dificuldades financeiras, o hospital segue sendo peça-chave na rede de saúde do município. O Hoema presta atendimento ambulatorial e dá suporte nos feriados, finais de semana e nos períodos em que as Unidades Básicas de Saúde estão fechadas. “A primeira porta que o morador bate é o hospital, principalmente porque as UBS fecham às 17h durante a semana”, ressalta a vice-prefeita.
Relembre o caso
O Hospital Doutor Ernesto Maurício Arndt chegou a integrar o “Devedômetro” do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) devido aos atrasos no pagamento de salários a profissionais da saúde. A crise se arrastava desde março de 2025. A dificuldade financeira atingiu médicos, servidores e a enfermagem, cujo piso salarial estaria pendente desde 2024, provocando rotatividade de profissionais e apreensão quanto à manutenção dos serviços.
Na época, a direção do Hoema atribui o problema à insuficiência dos repasses públicos, que cobririam cerca de 60% dos custos mensais, e afirmava depender de emendas parlamentares e ações comunitárias para manter o funcionamento da instituição.