A Câmara de Vereadores realizará, no dia 5 de fevereiro, às 19h, uma audiência pública para discutir os impactos urbanos e ambientais no bairro Laranjal decorrentes da construção de um condomínio. O requerimento, apresentado pelo vereador Ivan Duarte (PT), formaliza uma demanda de moradores do bairro, que pedem esclarecimentos técnicos sobre os efeitos da obra em uma das áreas mais sensíveis do município.
As preocupações relatadas envolvem desmatamento, alterações no escoamento das águas pluviais e o aumento do tráfego de veículos pesados durante a execução do empreendimento. Esses fatores afetam diretamente a drenagem urbana, a mobilidade local e a preservação ambiental, especialmente em um bairro marcado pela proximidade com a orla da Lagoa dos Patos e por características naturais que exigem planejamento específico.
Ao ser levada para uma audiência pública, entram no centro do debate o licenciamento ambiental, os estudos de impacto apresentados, as condicionantes impostas ao empreendimento e a capacidade da infraestrutura do Laranjal de absorver novas ocupações. Também se impõe o papel do poder público na fiscalização e no acompanhamento das obras, além das contrapartidas urbanísticas previstas.
O caso explicita um dilema recorrente no bairro. O Laranjal reúne valor ambiental, paisagístico e turístico, o que aumenta a procura por novos empreendimentos imobiliários. O que for apresentado e cobrado na audiência pode estabelecer parâmetros não apenas para este condomínio, mas também para futuros projetos na região.
Agenda paralela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, em dezembro de 2024, de um encontro fora da agenda oficial com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A reunião também contou com a presença do então indicado à presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que teria intermediado a conversa. Conforme apurado pela imprensa de Brasília, Vorcaro apresentou ao presidente sua versão sobre a situação do banco, e Lula teria indicado que o tema deveria ser tratado pelas instâncias técnicas. O encontro ganha destaque porque ocorreu quando o Banco Master já enfrentava questionamentos regulatórios e, posteriormente, acabou submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central, além de investigações da Polícia Federal. A ausência do registro na agenda oficial reacende o debate sobre transparência institucional em agendas presidenciais, sobretudo quando envolvem agentes do sistema financeiro em contextos sensíveis.
Centro em cena
O ex-ministro Carlos Marun pretende procurar Michel Temer (MDB) nesta semana para sugerir que o ex-presidente dispute a presidência da República em 2026. Segundo Marun, a iniciativa nasce de uma insatisfação com o atual desenho eleitoral. Ele afirma não se sentir representado nem pelo presidente Lula (PT), nem pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como nome da direita. A leitura é que a disputa, tal como se apresenta, restringe as opções do eleitorado. Na avaliação do ex-ministro, uma candidatura de Temer poderia reorganizar o centro político e reduzir a dependência da polarização. Marun cita governadores como Ratinho Junior e Eduardo Leite, ambos do PSD, como quadros competitivos, mas sustenta que o MDB teria melhores condições de liderar um projeto nacional com esse perfil.
Diálogo retomado
Lula confirmou que fará uma visita oficial a Washington após uma conversa telefônica com Donald Trump. A viagem ainda não tem data definida, mas deve ocorrer depois da agenda internacional de Lula na Ásia. Segundo o Planalto, o diálogo abordou temas econômicos, cooperação em segurança e a situação na Venezuela, além de assuntos da agenda internacional. A confirmação da visita sinaliza a retomada de um canal direto entre Brasil e Estados Unidos em um contexto de reorganização da política externa brasileira e de busca por previsibilidade nas relações comerciais e diplomáticas. O encontro presencial tende a servir como espaço para alinhar prioridades, reduzir ruídos recentes e definir até onde vai a convergência prática entre os dois governos em temas sensíveis do cenário global.