Com expectativa de receber mais de 20 mil visitantes, a programação da 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas foi apresentada à imprensa e reforça a inovação como um dos principais eixos do evento, que ocorre de 24 a 26 de fevereiro, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão. Arenas de Inovação e de Drones, vitrines tecnológicas e a ampliação da Feira da Agricultura Familiar estão entre os destaques desta edição, que reunirá 230 expositores.
A estrutura do evento já começa a ganhar forma para receber o público e os expositores, além do pavilhão da Agricultura Familiar, que cresceu de oito bancas no ano passado para 20 empreendimentos em 2026, ampliando a visibilidade da produção regional.
Em visita a Pelotas para divulgação, o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destaca que a abertura da colheita ocorre em um momento delicado para o setor orizícola, marcado por endividamento, dificuldades de acesso ao crédito e assimetrias no Mercosul, somadas à concorrência acirrada de países vizinhos. Segundo ele, a elevada produtividade e a capacidade técnica dos produtores brasileiros resultaram em uma grande safra, mas o cenário internacional e as limitações de mercado pressionam a rentabilidade. Mas a tendência é de virada de cenário.
Nunes reforça a necessidade de corrigir distorções, conquistar novos mercados e valorizar a qualidade do arroz produzido no Rio Grande do Sul. “O acordo Mercosul–União Europeia é uma oportunidade importante, que deve abrir inicialmente uma cota de 60 mil toneladas de arroz para exportação, com ampliação gradual”, afirma. Para ele, a entrada do produto brasileiro no mercado europeu tende a impulsionar o consumo, especialmente pela qualidade, sustentabilidade e investimento em pesquisa.
O presidente da Federarroz também adianta que a entidade atua junto ao governo em busca de ferramentas de apoio, como o Programa de Garantia de Preços Mínimos, especialmente neste início de colheita, quando já surgem os primeiros sinais de recuperação nos preços do arroz.
O prefeito de Capão do Leão, Vilmar Schmitt, agradeceu a escolha do município como sede do evento e ressaltou o momento positivo vivido pela cidade, que tem despertado o interesse de grandes empresas em razão da localização estratégica e do potencial de crescimento.
Consolidação
O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra, demonstra expectativa de crescimento do evento, com público superior a 20 mil visitantes, 230 expositores e a ampliação da Feira da Agricultura Familiar. Dutra também destaca a programação técnica da Embrapa, que contará com vitrines de forrageiras e de arrozes especiais, voltadas à diversificação produtiva e à abertura de novos nichos de mercado.
Para ele e o presidente Nunes, a programação foi construída a partir das demandas reais do setor, com foco nas dificuldades enfrentadas pelos produtores e nas perspectivas de pesquisa, manejo e inovação. “O encontro tem caráter técnico e estratégico, e não apenas comemorativo”, afirma, lembrando que esta será a oitava abertura da colheita consecutiva realizada na Embrapa Terras Baixas, com possibilidade de permanência do evento por mais uma década no local. Já o presidente da Federarroz destacou as principais atrações dos três dias de evento.
O diretor do Senar-RS, Cláudio Rocha, classifica o momento do setor como um dos mais difíceis da história recente, marcado por eventos climáticos extremos e queda inédita nos preços. “Não adianta ficar chorando em cima disso. Precisamos buscar alternativas e soluções juntos, com apoio das entidades”, afirma, reforçando o papel do evento na construção de caminhos para a retomada da viabilidade econômica.
Diversificação
O diretor da Federasul e produtor de arroz, Fernando Rechsteiner, alerta que o aumento da eficiência produtiva, sem a ampliação de mercados, tem se tornado um problema para os produtores, levando inclusive à redução de áreas plantadas. Defende a diversificação de usos do arroz, indo além do consumo tradicional, e citou o exemplo do milho destinado à produção de etanol.
Para ele, avançar nos estudos sobre a viabilidade do uso do arroz para etanol combustível é uma alternativa estratégica. “O arroz é mais do que aquilo que a gente coloca na panela, e precisa ser mais do que isso para sobreviver”, destaca.
Apoio técnico
O engenheiro agrônomo Igor Kohls, do Irga, ressalta que a Abertura Oficial da Colheita do Arroz se consolidou como um evento técnico e tecnológico, voltado à apresentação de soluções práticas diante da baixa rentabilidade e do aumento dos custos de produção. Segundo ele, o Instituto atua fortemente na diversificação dos sistemas produtivos, na integração lavoura-pecuária e em práticas ambientais. “Esse evento deixou de ser apenas político e passou a ser um espaço onde o produtor consegue ver, na prática, a eficiência das novas tecnologias”, afirma.
Ao final da coletiva, a imprensa percorreu as áreas da Embrapa onde estarão concentrados os espaços de tecnologia e as vitrines de inovação, com destaque para variedades de arroz voltadas a diferentes usos e nichos de mercado, como o arroz negro, vermelho e japônico.
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz é uma realização da Federarroz Rio Grande do Sul, com patrocínio do Governo do Estado e do IRGA, e correalização da Embrapa e do Senar.
