“Há 62 anos, já percebíamos que a força dos municípios era a grande chave”

ABRE ASPAS

“Há 62 anos, já percebíamos que a força dos municípios era a grande chave”

Henrique Feijó - Secretário-executivo da Azonasul

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“Há 62 anos, já percebíamos que a força dos municípios era a grande chave”
Henrique Feijó - Secretário-executivo da Azonasul (Foto: Isaac Moraes)

A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) é uma entidade que integra 23 municípios com o objetivo de assessorar as representações de suas demandas sociais e econômicas e fomentar a união em torno de temas importantes para a comunidade e o fortalecimento da região.

Neste ano, a Azonasul completa 62 anos de atuação em defesa do municipalismo. Foi fundada em 20 de setembro de 1964, em Piratini, pelo então prefeito de Pelotas, Edmar Fetter. Quem acompanhou o processo de construção e consolidação da entidade, desde o começo, foi o atual secretário-executivo da Azonasul, Henrique Feijó.

A história da Azonasul se confunde com a sua vida, de certa forma. Como tem sido essa experiência?
Sempre tive uma paixão muito grande pela região, sempre fui um cara voltado para o municipalismo. A minha vida iniciou no municipalismo. Me aposentei lá em 1989, um ano depois da nova Constituição, e aí comecei a ter uma passagem pelo CDL que, naquele período, renasceu para um assunto voltado para recomeçar a Fenadoce. Sempre acompanhando a Zona Sul, era o que mais queria, continuar trabalhando no municipalismo. Tive uma passagem também pela universidade, nove anos como pró-reitor da Católica. Depois disso, sim, voltei totalmente para o municipalismo na Azonasul.

Como é que você vê essa luta hoje dos municípios?
A vida acontece nos municípios e, há 62 anos, já percebíamos que a força dos municípios era a grande chave, essa união. Na verdade, a Zona Sul tem uma coisa um pouco diferenciada, exatamente pela forma como ela conduz esse processo eleitoral. O problema de Pelotas é o problema da região. Todos encarnam a mesma proposta, os mesmos desejos, e é aí que entra a representatividade. Quando não se tem uma representatividade política forte, estável, fica muito pior. Essa bandeira já foi da Azonasul, de defender o aumento da representatividade.

O senhor entende que ter mais representatividade na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados é a grande chave?
Não tenho dúvida disso. Houve uma época em que chegamos a não ter nenhum deputado. Em 2001 elaboramos uma matéria, uma campanha publicitária para o desenvolvimento da Zona Sul via melhoria da representatividade política da região. Na última eleição, Pelotas deu para deputados federais mais de 40 mil votos para candidatos da metade norte. E é por isso que raramente pisam aqui. Os próprios prefeitos da região têm deputados que não são da região, porque eles pertencem a um partido político. E assim as câmaras de vereadores também.

Ainda que haja polarização política no contexto da região, a Azonasul consegue se manter muito apartidária. Como isso é trabalhado?
Nós dizemos que somos uma entidade suprapartidária. A Azonasul está acima dos partidos políticos. Os prefeitos nem sentem isso quando estamos reunidos. Eles pensam no que nós precisamos para desenvolver essa região. Então, este é o papel da Azonasul e os prefeitos acreditam nisso aí.

O novo presidente da Azonasul vai assumir agora no final de fevereiro. Ele está definido?
Se sabe apenas o partido em que ele irá, nesse rodízio. Agora será definido entre o MDB. Estão concorrendo seis prefeitos. Entre eles vai sair o presidente. Três não querem, que a gente sabe. E, normalmente, eles formam uma chapa, uma diretoria para os partidários. Todos têm assento, todos os partidos vão ter assento na diretoria. Hoje essa disputa estaria entre os prefeitos de Jaguarão, Santa Vitória do Palmar e Santana da Boa Vista. São os três que estão mais inclinados a aceitar.

Como que a Azonasul pretende se comportar no ano eleitoral frente aos candidatos ao governo?
Como sempre se comportou, valorizando aqueles candidatos que são da região, que conhecem a região. Se eleitos, vão ajudar a região com emendas parlamentares e toda a representatividade que ela tem lá no Congresso Nacional. Se nós tivermos, por exemplo, um senador, muito melhor ainda.

Qual é a grande pauta que a Zona Sul defende hoje?
Nós precisamos defender novas indústrias para a nossa região. Este é um apelo de toda a região, e acho que isso está acontecendo em Rio Grande. O porto vem se desenvolvendo. Isso tudo acaba contagiando toda a região. Então, acho que nós temos que focar mesmo, mas, claro, nunca perdendo de vista aquelas coisas que são dos municípios.

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