Festival de Música amplia horizontes e recebe até alunos do Reino Unido

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Festival de Música amplia horizontes e recebe até alunos do Reino Unido

Parceria internacional leva estudantes britânicos à classe de Choro do Festival, reforçando o intercâmbio cultural promovido pelo evento

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Atualizado segunda-feira,
26 de Janeiro de 2026 às 10:17

Festival de Música amplia horizontes e recebe até alunos do Reino Unido
Grupo participa de formações e fará, na noite de hoje, sua primeira apresentação pública, no Theatro Guarany (Foto: Ana Cláudia Dias)

Ao lado de brasileiros oriundos de Norte a Sul do país, entre os 400 jovens que estão em Pelotas participando do 14º Festival Internacional Sesc de Música, estão representantes da Argentina, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Venezuela, confirmando a internacionalização do evento quando o tema é alunos também. Porém, esta edição tem uma peculiaridade: pela primeira vez, o eixo educacional inclui músicos de fora das américas. Desde segunda (19), participa da classe de Choro um grupo de seis estudantes do Reino Unido, que estão por aqui aprendendo a compor no ritmo deste gênero musical tipicamente brasileiro.

Os seis alunos chegaram ao Festival por meio de parceria entre o Sesc-RS, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Bath Spa University. “Um grande intercâmbio de culturas, talentos e histórias marca Pelotas nestes doze dias de programação”, avalia o diretor de Música do Sesc-RS, Anderson Mueller.

Um dos professores do núcleo do Choro, o músico e compositor Mathias Behrends Pintos, conta que os ingleses estão conhecendo um pouco sobre a cultura musical brasileira. “É uma classe especial, um ano especial em que a gente recebe uma comitiva do Sul da Inglaterra”, fala.

Estreia

Na noite de hoje os alunos fazem a primeira apresentação pública, irão compor a Orquestra de Choro do Festival, que se apresenta no Theatro Guarany, sob regência de Lucian Krolow. O grupo interpretará a suíte Raízes, de Mathias Pinto, que estreia essa composição com sete movimentos, nesta noite.

O professor comenta que a expectativa é a melhor possível. “A Suíte Raízes foi muito bem ensaiada durante a semana, temos algumas participações de peso, vai ser uma grande estreia, uma música inédita, vai subir ao palco do Guarany, com a Orquestra de Choro do Festival. Estou feliz por conseguir estrear uma música nova, uma música brasileira percussiva”, fala Mathias Pinto.

Pesquisa musical

Os alunos vieram com o professor doutor Matt Dicken, da Bath Spa University. No Reino Unido, os jovens músicos se dedicam a estudar as músicas de concerto, eletrônica e folclórica e o interesse de vir ao Festival surgiu a partir da amizade entre Dicken e o professor doutor Leandro Maia, da UFPel, que foi residente na Bath Spa University. “O Leandro me contou sobre o Festival do Sesc, então fizemos o plano e viemos”, conta Dicken, que pesquisa a música popular e folclórica do Paraguai e do Brasil.

Dicken diz que conhece a sonoridade, mas esta é a primeira vez que se dedica a aprender a tocar o chorinho. “É difícil aprender, especialmente por ser uma música típica. É desafiador e a parte mais difícil é o ritmo”, conta.

Entre os alunos que vieram com Dicken, Millie Sandford, que canta, toca piano e violão. A jovem, que está aprendendo a cantar em português, mesmo sem falar a língua, conta que participar do Festival tem sido uma experiência incrível porque o canto é seu instrumento principal. “ É uma experiência enorme para mim, porque tudo isso é muito novo. Mas também estamos começando a cantar, aprendendo a cantar em português, aprendendo os coros, o choro, o samba e os ritmos. E isso é realmente divertido”, diz.

Português é desafiador

Millie divide os vocais com a harpista e cantora Lily Paylor-Sykes, que também relata os mesmos desafios. Em Pelotas Lily conheceu a voz e o repertório da cantora Clara Nunes e se apaixonou. Por estes dias, ela está treinando a canção Alvorecer. “Eu adorei. É uma melodia linda, realmente fica na cabeça. Eu continuo cantarolando o tempo todo, andando por aí e cantando. É uma música belíssima. Foi a primeira vez que ouvi algo assim, fiquei em choque. Não é o tipo de música que eu costumo tocar”, fala a harpista que se dedica à música folclórica na Inglaterra.

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