Corpos empilhados

Editorial

Corpos empilhados

Corpos empilhados
(Foto: João Pedro Goulart)

Sete pessoas perderam a vida no trânsito urbano de Pelotas em um mês. Se somarmos o acidente com o ônibus na BR-116, são 18 vidas. Esse recorte considera o período entre a noite de Natal, quando dois meninos morreram em um acidente na estrada do Laranjal, e o último sábado, quando um motociclista envolveu-se em uma colisão com um ônibus e faleceu, na esquina da Floriano com Deodoro. É, também, um retrato de uma série de coisas que precisam mudar urgentemente: o comportamento, a infraestrutura, a lógica da direção ofensiva… ou algo passa a ser diferente, ou caminhamos para uma média estarrecedora.

O primeiro e gritante ponto, sem dúvida alguma, é a questão do comportamento. Grande parte dessas colisões – se não todas – contam com um elemento em comum, da imprudência. A direção defensiva torna-se cada vez mais necessária, mas ainda assim não é o suficiente. É só parar nas ruas e notar a quantidade de gente que dirige em alta velocidade, usando o celular, não respeitando a sinalização e nem as faixas de pedestre. Sem contar em motociclistas que enfiam-se em pequenos espaços para ganhar alguns segundos e vivem em um constante risco, muitos deles pela pressão profissional do trabalho com entregas.

É uma sensação cada vez pior para quem circula pela cidade. Não dá para afirmar exatamente qual foi o ponto de virada, mas é notório que todo mundo que precisa valer-se do trânsito de Pelotas, seja qual seu papel – motorista, carona, pedestre, ciclista, etc – sente-se mais preocupado do que era há algum tempo. E aí entra o necessário papel do poder público: nossa infraestrutura é sim precária. Mesmo com mudanças em algumas vias e rótulas para desafogar engarrafamentos, é preciso de mais.

São diários os relatos de semáforos que deixam de funcionar. São diversas as faixas de segurança apagadas. Sem contar placas em locais pouco efetivos. Mas o principal fator é, infelizmente, a necessidade de ser mais punitivista. É preciso investir em semáforos inteligentes, em radares eletrônicos e capacitar, com formação e suporte tecnológico, os agentes de trânsito para que sejam mais firmes e efetivos. Infelizmente, muitos aprendem só quando dói no bolso. E é melhor que doa no bolso do que na alma de uma família dilacerada pela imprudência.

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