“A formiga representa essa união que a gente vê nas crianças e Pelotas tem esse símbolo muito forte”

Abre aspas

“A formiga representa essa união que a gente vê nas crianças e Pelotas tem esse símbolo muito forte”

Amanda de Abreu Assma - Artista Visual e Produtora Cultural

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Atualizado quinta-feira,
22 de Janeiro de 2026 às 10:43

“A formiga representa essa união que a gente vê nas crianças e Pelotas tem esse símbolo muito forte”
(Foto: Reprodução)

Entre barricas iluminadas, formigas em festa e memórias da infância, a artista pelotense transforma o Pipa Parade em uma experiência sensorial que vai além do olhar. Convidada pela curadoria do projeto, ela apresenta três obras que dialogam com o tema Uva Sentida e propõem um encontro entre arte, afeto e celebração, convidando o público a desacelerar, interagir e se relacionar com a obra para além das telas.

Qual é a tua relação com a arte? É desde sempre?
 Sim, desde sempre. Eu nunca me imaginei fazendo outras coisas, a não ser arte. Desde criança, me interesso pelas questões da arte, pelas filosofias da arte também, que são parecidas com as da vida. Quando entrei na universidade, fiquei por ali, não saí mais. Sigo fazendo mestrado e coordeno projetos que também são ligados à arte, fora do ambiente da universidade, além de outras parcerias, todas envolvendo a arte, a cultura e essa forma de se comunicar com o mundo por meio das imagens.

Como é que tu chegou ao Pipa Parade? Foi convite ou tu fez essa conexão?
A primeira edição foi no ano passado. Esse projeto é de muita relevância para o Estado, porque ele busca, por meio dos curadores de arte, identificar quem são os artistas de maior relevância no Estado naquele ano. No ano passado, participaram vários artistas; neste ano, foram ainda mais: trinta. São três curadoras. Quem me convidou foi a curadora Ana Matos, que já acompanha o meu trabalho há algum tempo. Eu fui a única convidada aqui da cidade a participar do Pipa Parade. Fiquei bem surpresa e bem empolgada.

São três peças. Como foi o teu processo criativo? Tinha um tema definido?
Havia um texto curatorial chamado Uva Sentida. Esse texto foi dividido em alguns versos, e eu recebi um verso que falava sobre os doces e o encanto da infância. O meu processo criativo foi bem diferente, porque eu trabalho com ambiência. Receber uma peça que já existe e personalizá-la com um tema foi bem desafiador.

Pensei em juntar referências que me interessam. Eu gosto de vinho e gosto muito de doces. Como eram três barricas, pensei em O Jardim das Delícias, de Bosch, que é uma obra dividida em três partes e fala muito sobre alguns delírios; essa foi a minha principal referência. Também pensei no álbum Minas Gerais, do Milton Nascimento, que tem uma capa desenhada por ele, com um traço que lembra o desenho infantil. Como eu gosto que as crianças interajam com as artes, pensei em dividir as três barricas e desenhar as formiguinhas.

Por que as formigas aparecem nas obras?
Pensei em desenhar formiguinhas carregando os doces, as taças e as uvas para fazerem a festa. A formiga representa essa união forte que a gente vê nas crianças, que se juntam, brincam e carregam alegria pelos lugares. E Pelotas tem um símbolo forte, que é a formiga. Eu adoro aquelas formigas espalhadas pela cidade, então pensei em colocá-las carregando a festa. Por isso são três, com as luzes que se acendem, indicando o caminho das formigas.

Como é o teu processo de arte?
O meu processo envolve bastante observação do entorno e dos contextos, para que eu consiga expressar bem o que eu quero dizer e para que as coisas não fiquem soltas. Eu gosto de trabalhar com ambiência e, atualmente, me interesso muito em tirar as pessoas das telas nas festas.

Tenho um projeto que é uma festa de música eletrônica e artes visuais, e é muito interessante ver as pessoas dançando sem tocar no celular, se entregando àquele momento de imersão.

Eu me interesso, sobretudo, em como fazer uma arte que leve as pessoas a se relacionarem com a obra, e não com a tela do celular para fotografá-la, que isso seja algo que venha depois.

O que o público vai encontrar na exposição no PSJ?
Logo na entrada, há três barricas do Pipa Parade. Se as luzes estiverem apagadas, existe um dispositivo em cima da barrica central para que as pessoas possam interagir e ligá-las. As obras falam sobre os doces, o encontro, a infância, os caminhos que percorremos com os amigos e a festa, que é uma celebração e faz parte da minha poética.

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