O projeto Pequeno Louva-a-Deus completou no fim de dezembro a quarta cerimônia de graduação. Dezessete alunos neurodiversos – pessoas no espectro autista, com TDAH ou Síndrome de Down, por exemplo – concretizaram a troca de faixa no kung fu, arte marcial de origem chinesa.
Liderado pelo Si-Fu (mestre, em mandarim) Jorge Garcia, o Pequeno Louva-a-Deus busca a integração por meio de conceitos do kung fu. Garcia representa a décima geração do estilo Tai-Chi Louva-a-Deus, uma das vertentes dessa arte marcial, incluindo práticas terapêuticas voltadas ao desenvolvimento e acolhimento de pessoas com transtornos.
“O kung fu é saúde para corpo, mente e espírito. E acredito que essa contribuição tem muito a ver com os fundamentos que a gente trabalha na nossa atividade. Tem muita relação com a psicomotricidade. A questão disciplinar, de conhecer o próprio corpo e as próprias dimensões, auxilia muito no desenvolvimento das pessoas neurodiversas”, afirma.
Para o idealizador do projeto, os benefícios da prática são perceptíveis no dia a dia.
“Quando experimentamos alguma dinâmica de agachamento, baseado em alguma das bases do kung fu, a gente percebe que esse desenvolvimento maior se dá quando esse treinamento simples pode ser observado nos outros ambientes da vida dele, ao se agachar com maior tranquilidade, qualidade de vida, para pegar alguma coisa embaixo da mesa, por exemplo”, explica.
