“O Estado não está perfeito, mas está melhor”

Entrevista

“O Estado não está perfeito, mas está melhor”

Governador Eduardo Leite faz balanço das ações realizadas ao longo de sua gestão

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“O Estado não está perfeito, mas está melhor”
(Foto: João Pedro Rodrigues)

Em ano de eleições estaduais e federais, o governador Eduardo Leite (PSD) relembra trabalho realizado no Rio Grande do Sul e, especialmente, na Região Sul do Estado. Em entrevista à Rádio Pelotense, o gestor avaliou os resultados do seu governo, falou sobre investimentos previstos para a região, comentou a situação da dívida do Estado com a União, a possibilidade de novos empreendimentos privados, a concessão do polo rodoviário de Pelotas e os próximos passos do seu futuro político.

O senhor avalia que conseguiu atingir os principais objetivos que traçou ao assumir?

O Estado, em 2019, não conseguia pagar salários em dia, atrasava repasses, não conseguia cumprir obrigações. Hoje, temos as contas em dia e capacidade de investimento. Criamos o SUS Gaúcho, colocando cerca de R$ 1 bilhão a mais por ano na saúde. Os indicadores de segurança pública também mostram isso, o Estado vive os melhores indicadores de segurança da sua história. O Estado não está perfeito, mas está melhor, não tenho dúvida disso. Enfrentamos uma pandemia e as maiores enchentes da nossa história, mas, mesmo assim, conseguimos entregar resultados importantes.

O vice-governador Gabriel Souza (MDB) mencionou a possibilidade de uma grande empresa se instalar em Pelotas. Em que estágio estão as negociações?

Discussões sobre investimentos privados exigem muito cuidado por conta do sigilo. O que posso assegurar é que estamos determinados em negociar um investimento de grande porte para o Estado, com foco também na região Sul. É importante destacar que o maior investimento privado da história do RS ocorreu durante o nosso governo: o projeto da CNPC, que prevê uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro e um investimento bilionário no porto de Rio Grande, com a construção de um novo terminal para movimentação de celulose.

Quando os recursos para obras de proteção contra cheias devem chegar em Pelotas?

Não há restrição de recursos por parte do governo do Estado. Já repassamos valores para Canoas, Porto Alegre e outros municípios por meio do fundo da reconstrução. Em Pelotas, estamos em diálogo com a prefeitura, aguardamos a apresentação e aprovação dos projetos e da documentação necessária para liberar a primeira parcela dos recursos.

Sobre a adesão ao Propag, o senhor vê possibilidade de prorrogar a suspensão do pagamento da dívida após 2027?

O Propag ajuda a amenizar esse problema, mas não o resolve. Nós vamos aderir para aproveitar aquilo que está disponível. Se houver uma proposta melhor, vamos considerá-la. Mas não abrimos mão de discutir que essa dívida gera um tratamento desleal da União com o RS. O governo federal direciona recursos para outras regiões, enquanto retira uma parcela substancial do nosso orçamento. O RS enfrenta desafios por estar no extremo sul, suas condições climáticas e desafios demográficos. A ideia é que o Estado possa aplicar esses recursos não apenas em ações relacionadas às chuvas intensas, mas também para reduzir os prejuízos das secas e estiagens, que têm impactado fortemente nossa capacidade econômica. Esses são pontos que precisam ser analisados e vamos tratar desse tema ao longo do ano.

Qual o papel do governo do Estado na articulação sobre o Polo Rodoviário de Pelotas?

Estamos buscando uma audiência para tratar desse tema e outros investimentos, como as ferrovias, que são fundamentais para a região sul. O polo rodoviário precisa de investimentos. A concessão da década de 1990 resultou em tarifas de pedágio elevadas, sem investimentos correspondentes. Apesar disso, ela continua sendo o caminho, e há possibilidade de um leilão ainda neste ano. Precisamos dialogar buscando o maior volume de investimentos com o menor custo viável. O Estado e o governo federal não têm capacidade, sozinhos, de realizar todos os investimentos nas rodovias. Por isso, seguimos articulando para que a modelagem da concessão garanta o maior volume de investimentos e tarifas em um patamar aceitável.

O governo vê a termoelétrica de Rio Grande como um projeto estratégico?

Como a obra não foi realizada no prazo previsto, a Aneel encaminhou a caducidade da concessão. A empresa recorreu ao Judiciário para tentar manter o projeto, o que acabou gerando esse impasse. O nosso desejo é que o projeto se viabilize. Realizei reuniões com o ministro de Minas e Energia e a Aneel na busca por uma solução. O Estado está acompanhando e se dedicando para que possa sair do papel.

O que o senhor ainda pretende entregar até 2026?

A duplicação do acesso a Rio Grande e o Hospital Regional de Pronto-Socorro de Pelotas. Também temos uma obra de acesso municipal em Pedras Altas e iniciamos a ligação entre Canguçu e Piratini – apesar de não ser possível entregá-la neste ano. Em Amaral Ferrador, temos um investimento de R$ 100 milhões. Também solicitamos a certificação para navegação noturna no Porto de Rio Grande, além dos sistemas de proteção contra cheias e dos programas de concessão rodoviária, que são de interesse de todo o RS, pois sem elas o Estado tem que arcar com a manutenção das rodovias. Eu diria que a grande entrega é justamente essa: um Estado que volta a ter capacidade de investir, de melhorar a vida da sua população e de apontar um futuro melhor para todos os gaúchos.

Qual é o seu futuro político?

Olhando para o futuro, existe uma indignação minha com a polarização. Ela separa pessoas e prejudica o Brasil. Existe a possibilidade de, pelo PSD, construirmos um caminho alternativo a Lula e Bolsonaro. Liderar um projeto nacional é algo que tenho disposição e vontade, se houver essa oportunidade. Caso isso não se viabilize, vou concentrar meus esforços na continuidade do projeto no RS. Isso pode significar uma candidatura ao Senado ou permanecer no governo até o fim do mandato. Esse encaminhamento deve se definir em fevereiro.

Seu apoio ao governo do Estado está definido em favor de Gabriel Souza?

O Gabriel é o nosso vice-governador e tem toda a legitimidade. É extremamente capaz, conhece o governo por dentro, tem habilidade política e segurança para conduzir o RS. Na minha avaliação, ele é um nome natural, o que não significa ser um nome que se impõe. Trata-se de uma construção política que passa pelo próprio Gabriel, pelo MDB e por todos os partidos que compõem a nossa base.

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