“Quando a família está dentro da escola, a relação se torna prazerosa para todos”

ABRE ASPAS

“Quando a família está dentro da escola, a relação se torna prazerosa para todos”

Gilceane Mota - professora e orientadora educacional

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Atualizado quinta-feira,
08 de Janeiro de 2026 às 10:33

“Quando a família está dentro da escola, a relação se torna prazerosa para todos”
Professora foi reconhecida com o prêmio MPRS de Educação 2025 (Foto: Jô Folha)

Professora e orientadora educacional em Pelotas, Gilceane Mota, foi reconhecida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul com o Prêmio MPRS de Educação 2025 na categoria Professora, pelo trabalho de busca ativa de estudantes após as enchentes de 2024, que ajudou no retorno de alunos ao ambiente escolar por meio da escuta acolhedora, do vínculo com as famílias e da articulação com a rede de apoio em saúde e assistência social.

Qual é a importância de manter esse vínculo da família com a escola?
Muitas famílias colocam as crianças e adolescentes na escola e acabam se afastando. Trazer a família para dentro da escola facilita muito esse vínculo. Ajuda a mostrar a importância de ser pai e mãe também no momento escolar: sentar junto, acompanhar, estudar. Não ser chamado à escola só por um problema, mas também para ouvir um elogio. Isso fortalece muito o vínculo. Quando a família está dentro da escola, a relação se torna prazerosa para todos.

Qual a importância da leitura no desenvolvimento dos jovens?
A leitura prazerosa amplia o vocabulário, o conhecimento e, principalmente, a empatia. Passamos a enxergar a dificuldade do outro de outra forma. Hoje vivemos numa era de tecnologia, com leituras muito rápidas, de “rolar o dedo”. Isso não é ruim, mas precisamos resgatar a leitura profunda, aquela que desenvolve empatia.

Quais são os principais motivos para os alunos abandonarem ou se afastarem da escola?
Problemas emocionais. Depressão e crises de ansiedade são os mais frequentes, e em número significativo. Muitos alunos estão com depressão profunda e nem percebem, porque, às vezes, a família interpreta como “frescura”. Quando consigo conversar com esses alunos, vou mostrando que algo não está bem. Uso muito da minha própria vivência para ajudar. Quando eles confiam, aceitam a ajuda com muita tranquilidade. Sempre foi possível dialogar, mesmo quando é difícil. Explico ao aluno e à família o que está acontecendo, por que o encaminhamento é necessário e quem diagnostica é o profissional da saúde mental.

Há alguma história de aluno que te marcou?
Teve uma aluna que retornou à escola e me disse: “O mérito é teu, porque foi contigo que eu percebi que estava doente e que precisava voltar”. Isso marca muito. Ano passado, duas alunas foram para a área da educação: uma para Letras e outra para História. Dá até para escrever um livro de bolso com essas histórias.

O que tu esperas da educação daqui para frente, convivendo com a tecnologia?
A tecnologia tem lados positivos e negativos. As universidades precisam inovar, formar professores preparados para usar a tecnologia a favor da educação. Romper hábitos antigos não é fácil, mas a mudança já está acontecendo. Não é simples, mas é possível.

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