A resposta para absolutamente todos os problemas que países e governos enfrentam passa por um elemento: mais democracia. E é assim que a questão da Venezuela deve ser encarada por todos os envolvidos e principalmente por seus vizinhos, como o Brasil. Após anos de sofrimentos na mão de um regime não-democrático, é fundamental que se inicie imediatamente um movimento coletivo por eleições limpas, justas e que a população venezuelana escolha seu destino, que suas instituições sejam fortalecidas e a página ditatorial seja deixada apenas para os livros de história, mas com um constante alerta e vigilância.
Cabe ao Mercosul, e aí o Brasil tem um papel fundamental, posicionar-se firmemente pela redemocratização de um país que vem sofrendo há décadas com a falta de liberdades. E, nesse momento, é importante não cair em contradições. Se o país não reconheceu, em 2024, Nicolás Maduro como presidente eleito, não pode agora reconhecer sua vice, Delcy Rodríguez, como líder da Venezuela. Ora, se ela foi beneficiada no mesmo pleito, sem qualquer transparência ou lisura verificáveis, não pode agora ser vista como a herdeira justa de Maduro. Uma intervenção americana, como deseja Donald Trump, ao que tudo indica com um objetivo de exploração do petróleo, também de nada ajuda. A Venezuela é dos venezuelanos. O país precisa ser devolvido a eles. Totalitarismo e intervencionismo de nenhuma forma são aceitáveis.
Amanhã, 8 de janeiro, completam três anos dos ataques em Brasília e o governo brasileiro fará um evento para celebrar a resistência da democracia no país. Segundo a própria presidência da República, “realizada anualmente, a cerimônia tem por objetivo reforçar os valores da democracia, que sofreu abalo nessa data, em 2023.”
Nada mais justo, portanto, que o país aproveitar o timing para chacoalhar qualquer incoerência que possa existir nas relações exteriores. É fundamental defender ferrenhamente eleições justas, verificáveis e urgentes na Venezuela. Com livre possibilidade de candidaturas, de voto, e fortalecimento de instituições. Mais democracia aqui, mais democracia lá, mais democracia em todos os lugares.