Pelotas tem 30 solicitações de medidas protetivas em quatro dias

SEGURANÇA

Pelotas tem 30 solicitações de medidas protetivas em quatro dias

No ano passado, foram registrados 2.048 pedidos, representando um acréscimo de 15,12% em relação a 2024

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Pelotas tem 30 solicitações de medidas protetivas em quatro dias
A cada 3,2 horas, uma MPU é solicitada no município (Foto: Jô Folha)

Nos primeiros quatro dias do ano, Pelotas registrou o pedido de 30 Medidas Protetivas de Urgência (MPU). São 7,5 solicitações por dia, uma a cada 3,2 horas, o que ultrapassa a média de 2025 que ficou em 5,6 MPUs por dia, totalizando 2.048 encaminhamentos. Atualmente estão em vigor na Vara da Violência Doméstica 907 ordens judiciais que limita a aproximação dos agressores de suas vítimas. Esta é uma realidade que não recua, embora toda a rede de enfrentamento.

Um exemplo foi o atendimento feito pela Brigada Militar no bairro Três Vendas. A vítima havia fugido para outro endereço e contou à polícia que o seu agressor a pegou pelo pescoço exigindo sexo contra a vontade. Que ele a mantinha em cárcere privado, em troca de sexo, e que somente poderia sair daquele local após satisfazer a sua própria vontade. O indiciado colocou um garfo de churrasco no pescoço da vítima, ameaçando-a de morte caso não retornasse para dentro do imóvel. A mulher relatou ainda que sofre agressões físicas e verbais diárias e que já teve queimaduras pelo corpo, que deixaram cicatrizes.

A MPU solicitada por meio do atendimento da Brigada Militar foi a alternativa encontrada pela vítima para se manter em segurança. No caso, a autoridade policial determinou a prisão em flagrante do acusado. A denúncia e a coragem da mulher viabilizaram ações que buscam evitar o desfecho mais grave: o feminicídio, crime que teve um registro em Pelotas ao longo de todo o ano de 2025.

Segundo a secretária da Mulher, Marielda Medeiros, embora o número de feminicídios seja considerado baixo, o volume de medidas protetivas revela a dimensão da violência cotidiana. “O enfrentamento em 2026 passa por seguir informando, formando e divulgando os serviços da Rede de Proteção à Mulher. Muitas violências não são apenas físicas, mas psicológicas, patrimoniais e também vicárias”, explica. Neste último tipo, os agressores usam os filhos para se vingar das mulheres.

Um exemplo recente, registrado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), é de um caso em que o agressor tentou coagir a vítima a retirar a medida protetiva utilizando o filho do casal como intermediário. “Isso também é violência. Quando o agressor usa os filhos para atingir emocionalmente a mulher, chamamos de violência vicária”, destaca.

Propagar as informações

O aumento no número de registros também está relacionado à ampliação das políticas públicas e ao fortalecimento da rede de atendimento. Em entrevista à Rádio Pelotense, o ex-comandante do 4º Batalhão da Brigada Militar, tenente-coronel Paulo Renato Scherdien, avalia que o crescimento dos dados não significa necessariamente mais violência, mas maior encorajamento das vítimas para denunciar. “Antigamente, a violência doméstica não era tratada como hoje. A legislação não permitia a intervenção imediata. Hoje, com patrulhas especializadas, delegacias atuantes, Ministério Público e Judiciário, as mulheres se sentem mais seguras para buscar ajuda”, afirma.

Ele ressalta que a Patrulha Maria da Penha exerce papel fundamental na prevenção. “Além do atendimento inicial, há o acompanhamento, as visitas e o acolhimento contínuo. A mulher tem contato direto com a patrulha e pode acionar a qualquer sinal de risco. Isso salva-vidas”, pontua.

Atualmente, o 4º BPM conta com patrulha permanente, atuando diariamente com viatura exclusiva para o acompanhamento de casos com medida protetiva. “Todos os policiais são treinados para o atendimento em situações de crise, mas a Patrulha Maria da Penha faz esse trabalho próximo, de escuta e monitoramento”, acrescenta o ex-comandante.

Para a secretária Marielda Medeiros, o desafio de 2026 é reduzir os números por meio da informação e do fortalecimento da rede. “A gente sabe que não é uma mudança imediata, mas precisamos seguir divulgando os serviços, orientando as mulheres e atuando de forma integrada para que menos vidas sejam colocadas em risco”, conclui.

Cerrito

Ciente de que estaria protegida, uma mulher procurou o pelotão da Brigada Militar de Pedro Osório, após ser agredida pelo companheiro, na residência em Cerrito. A vítima apresentou lesão em um dos braços, conforme laudo médico, manifestou desejo de representar criminalmente e solicitou Medida Protetiva de Urgência. O suspeito fugiu antes da chegada da polícia e não foi localizado.

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