“Quando a gente se doa pra alguém, preenchemos espaços que nem imaginamos”

Abre aspas

“Quando a gente se doa pra alguém, preenchemos espaços que nem imaginamos”

Carla Pereira Iriart - presidente da ONG Alimentar

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“Quando a gente se doa pra alguém, preenchemos espaços que nem imaginamos”
Carla é idealizadora da ONG (Foto: Arquivo Pessoal)

A Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou dia 20 de dezembro como o Dia Internacional da Solidariedade Humana. Em Pelotas, o ato de se dispor a ajudar ao outro mobiliza milhares de voluntários, pessoas que doam muito além de tempo para o próximo. Uma dessas voluntárias é a Carla Pereira Iriart, idealizadora e presidente da ONG Alimentar (@ong.alimentar). Há quatros anos, na Praça Dom Antônio Zattera, um dos pontos centrais de Pelotas, são entregues cerca de 250 marmitas para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social. Aos domingos, cerca de 50 voluntários se unem pelo propósito de estender a mão aos que, para a uma parte da sociedade, são invisíveis.

Com qual propósito nasce a ONG Alimentar?
Atender pessoas em vulnerabilidade social, tanto pessoas em situação de rua quanto famílias carentes. A gente visa dar assistência de todas as formas, mas o início da ONG foi realmente com a alimentação. Hoje oferecemos muito mais do que um prato de comida. A nossa ação começou e se estende até hoje no Parque Dom Antônio Zattera pela rua dr. Amarante. Entregamos em torno de 250 marmitas, sendo que agora já estamos estendendo para 300 com proteína, suco, sobremesa e pão. A gente tenta nutrir da melhor forma possível. Mas o acolhimento, o abraço, o carinho, o beijo, isso é tão importante quanto. Sei um pouco da vida deles, mesmo aqueles que estão chegando, recepciono de uma forma acolhedora, porque é importante eles se sentirem acolhidos, sempre. Reforço que montamos uma estrutura das 11h às 13h, todos os domingos. Ininterruptos. Frio, chuva, férias, feriado, a gente está ali.

O que representa ajudar ao próximo?
É a minha missão de vida. Digo que é uma responsabilidade que não consigo parar, não tem como. Assim como minha filha, a ONG também é uma extensão da minha família. Sinto que a gente precisa fazer mais coisas pelas pessoas para que elas realmente se sintam parte da sociedade e queiram sair daquela situação. Além do prato de comida, da doação de roupa, oferecemos assistência social e orientação jurídica. Há dois anos também sou voluntária na Casa do Amor Exigente (CAEX) e entrei porque sei que muitas das pessoas em situação de rua passam por dependência química e já consegui encaminhar vários assistidos nossos para tratamento.

O que dirias para as pessoas que desejam realizar um trabalho voluntário?
Quando a gente se doa pra alguém, preenchemos espaços que nem imaginamos. Passamos a ver a vida diferente e digo por mim, sou muito mais feliz. Creio que todo mundo deveria passar por essa experiência, não precisa se dedicar a vida inteira a isso, mas eu convido, inclusive, a participarem em algum domingo para terem a dimensão e sentir aquela energia boa. A partir disso dá para ver o quanto é bom ser solidário, estender a mão, dar um abraço, um sorriso.

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