Novo ano, metas simples

Corpo e Mente

Novo ano, metas simples

Especialistas alertam para as exigências pessoais de início de ano e dão dicas como tornar a vida mais leve

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Atualizado domingo,
04 de Janeiro de 2026 às 13:45

Novo ano, metas simples
Entre as possíveis e as desejáveis, é preciso saber lidar com expectativas (Foto: Jô Folha)

O 2026 chegou. E agora? Já estipulou as metas? Vai começar um curso novo, uma dieta ou uma atividade física? A chegada do novo ano costuma ser acompanhada por listas de resoluções, promessas de mudança e expectativas de uma vida melhor. Para algumas pessoas, esse momento funciona como estímulo e motivação. Para outras, pode despertar ansiedade, frustração e cobranças excessivas. Entender os próprios limites e adotar metas mais realistas tem sido uma estratégia cada vez mais valorizada por quem busca equilíbrio emocional e especialistas explicam como é possível trabalhar as metas entre elas, manter a saúde mental em dia.

Segundo a psicóloga Mariana Aires, que atua na equipe de Cuidados Paliativos da UFPel, a virada do ano costuma carregar uma carga emocional intensa. “Existe uma ideia socialmente construída de que tudo precisa melhorar com a chegada do novo ano, e isso pode se transformar em uma armadilha emocional”, alerta. Metas muito distantes da realidade ou a crença de que é preciso mudar tudo de uma vez podem gerar frustração, culpa e sensação de fracasso logo nos primeiros meses.

As comparações, especialmente nas redes sociais, além da pressão para demonstrar felicidade constante e a expectativa de que os problemas se encerrem simbolicamente na virada do ano podem acarretar uma sobrecarga emocional. “Somam-se ainda as sobrecargas financeiras e os processos de luto, que tendem a se intensificar no fim do ano”, explica Mariana. A psicóloga também ressalta a importância de diferenciar momentos de tristeza da depressão. “Humor depressivo não é o mesmo que depressão. A depressão envolve persistência dos sintomas, prejuízo funcional e impacto significativo na vida cotidiana, exigindo avaliação profissional”, pontua.

Entre as orientações para atravessar esse período de forma mais saudável estão estabelecer metas possíveis e flexíveis, permitir-se sentir sem culpa, reduzir comparações, manter rotinas básicas de cuidado, como sono e alimentação, e buscar apoio emocional quando necessário.

É o caso da estudante de Bacharelado em Educação Física Vitória Chagas Martins, 19, que encara o planejamento anual de forma prática e adaptada à sua realidade. “Me considero uma pessoa bem realista. As metas que escolho são de acordo com a minha realidade, principalmente financeira”, afirma. Ainda assim, ela conta que costuma se permitir sonhar um pouco mais alto em alguns objetivos, acreditando que aquilo que faz sentido, em algum momento, pode se tornar possível.

Além das metas maiores, Vitória valoriza mudanças simples do cotidiano, como melhorar a alimentação ou praticar mais exercícios físicos. “Prefiro escolher coisas até bobas do dia a dia, que sei que consigo colocar em prática”, relata.

No caminho certo

Por isso, o processo de organização das metas de Vitória também é cuidadoso. Todos os anos, ela revisita os objetivos anteriores, separa o que foi alcançado e o que ficou pendente. “Gosto de escrever tudo em uma agenda e acrescentar aquilo que não consegui cumprir, desde que ainda faça sentido para a Vitória de 2026”, explica. Por gostar muito de coisas que estejam no campo de visão, ela aposta em estímulos que ajudem a manter o foco ao longo do ano.

Depois de listar os desejos, a estudante busca imagens que representem suas metas em plataformas como Pinterest e Google. As figuras são impressas ou desenhadas e organizadas em um quadro fixado na parede, acima da cama. “Assim consigo visualizar dia após dia e me motivar ainda mais”, diz. Apesar de o quadro ficar visível para a família, Vitória prefere não compartilhar suas metas com outras pessoas. “Gosto de realizá-las em silêncio e depois comentar”, conta.

Entre seus principais desejos estão estar mais próxima da família, aproveitar oportunidades, arriscar-se mais, melhorar a alimentação, praticar exercícios físicos com regularidade e criar hábitos saudáveis.

Passo a passo

A psicóloga Marciara Centeno explica que existe uma necessidade humana de finalizar etapas para começar outras, mas as listas que são feitas geralmente são irreais. “A cobrança por resolver tudo até o Natal ou o Ano-novo gera ansiedade e sensação de fracasso no início que se inicia.

Marciara observa que esse estado emocional pode se manifestar de formas diferentes, desde isolamento social até euforia excessiva. “Algumas pessoas aprendem a lidar melhor com isso e entendem que a vida continua depois do dia 2 de janeiro”, afirma. Para a especialista, fazer a lista daquilo que é importante para as pessoas gera satisfação. “Conseguir arrumar determinado armário que passou um ano sem ter fechado. Doar coisas que eu queria e não conseguia doar há muito tempo. Doar é muito importante. Mas quando não dá para realizar, o que não foi ok, merece um cuidado e um autoconhecimento”, alerta.

A alternativa é perguntar para si o que aconteceu, no sentido de compreensão e não de cobrança. “Eu não consegui viajar em 2025, porque fiz outras coisas que estavam e que não estavam nos meus planos. O mais importante é sair da cobrança e sair da felicidade cobrada também”, aponta.

Para Marciara, o equilíbrio entre corpo, mente e espírito é fundamental. “Cuidar da saúde mental não significa estar bem o tempo todo, mas reconhecer limites e pedir ajuda”, conclui. Se a tristeza, a ansiedade ou o isolamento persistirem além do período de transição, a busca por apoio profissional é essencial para que o novo ano comece com mais acolhimento e menos cobranças.

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