Marroni projeta ano de reestruturação e desafios

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Marroni projeta ano de reestruturação e desafios

Prefeito avalia 2025 como ano de emergências e reorganização, admite pendências na pavimentação e projeta 2026 com obras, licitações e mudanças na gestão

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Marroni projeta ano de reestruturação e desafios
Prefeito diz que gestão tem buscado alinhar as finanças (Foto: Jô Folha)

De volta à prefeitura de Pelotas após 20 anos, Fernando Marroni (PT) tratou 2025 como um ano de emergências e reorganização, no qual a meta foi recuperar o ritmo de prestação de serviços e evitar que crises se instalassem, citando limpeza urbana e drenagem como marcas mais visíveis. Ele promete que “não vai parar enquanto não resolver” ao falar dos pontos que ainda alagam.

O prefeito projetou 2026 como etapa de execução, ancorada em captação de recursos e em projetos estruturantes, mas sem vender atalho, porque repetiu que “as licitações são o grande calcanhar de Aquiles das administrações”, e colocou no centro da conversa aquilo que costuma travar governos por dentro, a falta de gente, os salários baixos, um quadro defasado e um sistema de gestão que ele próprio classifica como atrasado.

No meio das entregas elencadas, ele também admitiu o que ficou devendo, quando apontou a pavimentação como a frustração mais evidente do primeiro ano e resumiu o tamanho do problema em uma frase que pesa na página.Para o gestor, o ano também será de buscar conclusões, como a entrega do novo Hospital de Pronto-Socorro, garantir o repasse e a execução de obras com recursos do PAC e ficar de olho na vizinha Rio Grande, onde a retomada do Polo Naval pode, na avaliação dele, impactar diretamente Pelotas e suas indústrias.

Quando a entrevista, de fato, começou, a chave virou e Marroni tratou 2025 como um ano de emergências e reorganização, no qual a meta foi recuperar o ritmo de prestação de serviços e evitar que crises se instalassem, citando limpeza urbana e drenagem como marcas mais visíveis, e lembrando que “não vai parar enquanto não resolver” ao falar dos pontos que ainda alagam. O prefeito projetou 2026 como etapa de execução, ancorada em captação de recursos e em projetos estruturantes, mas sem vender atalho, porque repetiu que “as licitações são o grande calcanhar de Aquiles das administrações”, e colocou no centro da conversa aquilo que costuma travar governos por dentro, a falta de gente, os salários baixos, um quadro defasado e um sistema de gestão que ele próprio classifica como atrasado. No meio das entregas elencadas, ele também admitiu o que ficou devendo, quando apontou a pavimentação como a frustração mais evidente do primeiro ano e resumiu o tamanho do problema em uma frase que pesa na página.

Qual a nota do mandato até aqui?

Ah, isso é muito difícil. Eu tinha um professor que nunca dava 10, ele dizia assim: 9 e tanto. Não, é muito difícil a gente avaliar por nota, mas a sensação que a gente tem é que a gente teve uma boa resposta e aquele compromisso que a gente tinha. Nós vamos mudar o ritmo de prestação de serviço que a prefeitura tem, fazer uma integração para aproveitar melhor os recursos humanos, máquinas, equipamentos que a gente tem. Isso a gente conseguiu fazer, não existe mais uma prefeitura em cada canto. Então a gente está feliz com o que conseguiu até aqui, evidentemente que temos muitos problemas.

O Minha Casa Minha Vida, a gente está com 500 casas em obras. Só não conseguimos captar mais 250 porque o Rio Grande do Sul atingiu uma cota por conta das enchentes, mas a gente tende a recuperar o ano que vem. Então a gente está contente com o que a gente conseguiu conquistar e com aquilo que a gente conseguiu fazer durante 2025. E lógico que fazer um governo não tem tarefas fáceis, pelo contrário, são difíceis.

Qual decisão mais difícil tomada no ano?

Não seria uma decisão, mas nós temos um programa de governo que foi submetido, que teve o compromisso nosso, mas o principal desafio que a prefeitura tem é recursos humanos, certo? A prefeitura paga muito mal, os salários são muito baixos, tem dificuldade de contratação.

E junto com o pessoal, um sistema de gestão eletrônica, digital. O sistema que tem aqui fui eu que implantei em 2002. Então, a gente está completamente defasado. Nós precisamos trabalhar com inteligência artificial humanizada, mas inteligência artificial para ter boa resposta.

Qual das propostas que não avançou como o senhor esperava?

A questão da pavimentação da cidade. E explico: Pelotas tem 400 quilômetros de rua sem pavimento. A gente vai lá, bota material, patrola, primeira chuva, desmancha tudo, tem que fazer de novo. Então isso é um gasto enorme que a prefeitura tem sem resultado. O resultado é imediato e depois não consegue mantê-lo.

E as ruas pavimentadas estão em colapso, várias delas, colapso total. Então teve ali o final da obra da Ferreira Viana, da Fernanda Osório, agora com o Gonçalves Chaves, intervenções pontuais, mas nós nos dedicamos muito ao caminho do ônibus, demos prioridade ao caminho do ônibus. O caminho do ônibus significa que todo mundo pode andar por um pavimento bom até chegar ao seu bairro.

E por que isso? Porque nós recebemos R$ 4,5 milhões no orçamento para dar essa manutenção. E agora o nosso projeto para 26, aprovado, o orçamento já são R$ 14 milhões. Então nós vamos dar um combate a isso e captamos no PAC o recurso equivalente para que a gente faça 12,9 quilômetros de ruas que estão faltando para completar todo o caminho do ônibus calçado, asfaltado, em boas condições.


Fernando Marroni retornou à prefeitura após 20 anos (Foto: Jô Folha)

Como avançar em proteções ao meio ambiente e atender aos interesses do poder econômico?
Eu não diria que é só do poder econômico, é o desafio do patrimônio que as pessoas têm nas áreas baixas. Mas qual é o sentido que a prefeitura dá a isso? É regulamentar o que já está no plano diretor. O plano diretor é de 2008, e a última revisão de 2018. Sempre constou ali as restrições para construções em áreas baixas. E foi isso que nós fizemos com o decreto que regulamentou. O decreto só está regulamentando a lei.

Evidentemente que isso tem um impacto com propriedades. Não há um impedimento que se construa. Agora, não pode parcelar o solo, ou seja, pegar a gleba de terra e dividir em vários terrenos. Isso não é possível porque acaba impermeabilizando todo o solo e acaba sobrando para quem está ao lado, e aterrar também não pode.

Mas é possível que se tenha nova tipologia de construção, é possível trocar o potencial construtivo para uma outra área. Então tem vários instrumentos compensatórios a essa restrição.

Quais são os planos para 2026 para tentar equilibrar a relação com a Câmara de Vereadores?

Olha… o balanço que eu faço da relação com a Câmara até aqui foi muito importante. Todos, quase todos, 99% dos projetos que nós enviamos para a Câmara foram aprovados, com diálogo. Então, claro, tem coisas que são surpreendentes, que as pessoas se colocam contra benefícios para a cidade, que não são questões ideológicas de disputa, esse partido ou aquele partido.

Ninguém pode ser contra a segurança pública. Ninguém pode ser contra a gente renovar os contratos para cuidar das crianças que estão nos nossos abrigos. Então essas coisas são coisas pequenas, frente ao todo, mas que a gente fica muito, digamos assim, chateado, porque são temas que a gente achava tão tranquilos de serem aprovados.

Em relação ao futuro das finanças de Pelotas, a gente tem as dívidas quitadas agora? Até que ponto Pelotas tem capacidade de investir sem comprometer o caixa?

Investimento na pavimentação, nas ruas pavimentadas, não pavimentadas. Esse é o esforço grande, tem R$ 14 milhões previstos para isso.

Nós temos a Secretaria do Esporte, Defesa Civil, Mulheres e a Secretaria de Administração, que tiveram que ser estruturadas e entraram agora. Igualdade Racial entrou agora no orçamento. Todas elas vão ter orçamento e o orçamento para 2026 é esse apresentado, aprovado na Câmara, está equilibrado e a gente vai ter sim mais capacidade de investimentos na saúde, na educação, na assistência.

São áreas fundamentais. Tivemos essa parceria também com o governo do estado, que vai aportar as casas para o recomeço dos jovens, enfim, das pessoas em situação de rua, que vão morar dois anos nessa casa e vão ter capacitação para se inserir numa vida digna. Então, R$ 10 milhões para essa ação do governo do estado e o custeio será feito pela prefeitura de Pelotas. Então, são investimentos sociais que a gente vai fazer também. É bastante robusto.

Onde é que estava esse dinheiro para pagar dívidas, valorizar os servidores e pagar o 13º sem empréstimo?

Esse dinheiro estava no orçamento da prefeitura, né? E essas dívidas também, né? Mas qual foi a margem? Não tem margem, tem trabalho e dedicação.

Eu montei aqui um comitê de gestão financeira que participa o prefeito, secretário de finanças, secretário de planejamento e a secretária de administração e nenhum centavo é pago sem o conhecimento empenhado, pago sem autorização do prefeito. Então isso, claro, é um custo de trabalho bastante grande. A prefeitura tem milhares de contratos, mas toda terça e toda quinta tem uma reunião para tratar exclusivamente do que será aprovado ou não.

Onde a gente identifica que houve essas maiores economias? Combustível, oficina, diárias, material de consumo, coisas assim. E também não tem mais aquela figura de cada secretaria ou uma prefeitura. A Secretaria da Saúde tem lá o seu orçamento próprio, sim, mas a autorização desse orçamento passa pelo prefeito e por esse comitê técnico e assim a gente foi cortando. Não faltou nada para nenhum setor, pelo contrário, nos deu uma resposta muito forte em todas as áreas e conseguimos pagar 61 milhões de reais de 2013 e 2024.

Onde vocês conseguiram avançar em saúde nesse primeiro ano e qual ainda é o ponto mais crítico?

Na atenção básica, nos postos de saúde, que é de responsabilidade da prefeitura junto com a Católica e a Federal, que também eles têm postos de saúde. Nós, digamos assim, estamos com todos os equipamentos em funcionamento, com médico, medicamento.

Na atenção contratualizada, no SAMU a gente avançou e temos ambulâncias novas. E estamos avançando aí no tema do pronto-socorro. Nos contratos que nós temos com todos os prestadores de serviços, nós fomos no limite do que eles podem ofertar. E, inclusive, contratamos serviços privados, que não era comum. Nós contratamos a Clinicamp.

Aliás, foi muito engraçado, que uma senhora recebeu lá a notícia que era para ela se apresentar na Clinicamp para ser operada, e ela disse não, não, lá eu não vou, porque lá é muito caro.

Mas era pelo SUS, né?

Então a gente teve esses avanços na saúde da mulher. Com a carreta, a gente vai zerar essa fila, a carreta vai ficar aí até zerar a fila. Agora, nós temos problemas com neurologista, nós temos problemas com gastro, nós temos problemas de contratação, porque não tem oferta de serviços na cidade.

Então, com mais especialidade, como vai se pagar por um procedimento como um todo, a Santa Casa agora amanhã, lá em Porto Alegre, vai assinar com o ministro Padilha, também aquela outra possibilidade de quem tem dívida com a União de pagar esta dívida com prestação de serviço. Nós vamos ter vários serviços da Santa Casa nessa modalidade. Então avançou bastante em vários setores, mas, claro, o desafio continua. Fazer um empréstimo, coisa assim, mas para resolver o seu problema de saúde que estava sem solução.

Nesse contexto também tem o hospital de pronto-socorro, com 90% das obras já concluídas, uma previsão de abrir em 2026. Como é que ele se encaixa nesse cenário?

Fevereiro é a promessa de que se conclua toda a obra física e física e as instalações internas, oxigênio, rede lógica. Tudo isso estará pronto em fevereiro. De fevereiro a maio nós vamos fazer toda a instalação de equipamentos móveis, e a nossa data é maio, para reabrir o para abrir o pronto-socorro novo e encerrar aquelas atividades que a gente tem no pronto-socorro antigo.

Existe possibilidade de a prefeitura atrair uma indústria para a cidade?

Não existe mais desenvolvimento local, né? Desenvolvimento é sempre regional, desenvolvimento nacional. Veja, em 25, o crescimento econômico da cidade ampliou. Então a gente tem essa senha, a franja de Rio Grande.

Mas o que significa um polo naval em Rio Grande? O que significa a exploração da Bacia Pelotas? Por exemplo, vai ser feita via aérea pelo aeroporto de Pelotas. As escolas de petróleo e gás e geologia estão aqui em Pelotas, na faculdade e tal. Na outra oportunidade, tínhamos 43 empresas registradas que trabalhavam para o Polo Naval. E muita mão de obra daqui ia para o Rio Grande e muita hospedagem era feita em Pelotas.

Isso vai voltar a acontecer, agora com mais força ainda. Com o tema da Bacia Pelotas e também da nova termoelétrica. Pelotas e Rio Grande, para nós, são duas cidades, mas se for uma grande cidade, é o mesmo território. 60 quilômetros é como se fosse a mesma cidade. São pólos que se complementam.

E a nossa indústria local vai ganhar protagonismo na área da saúde, que é o novo hub de desenvolvimento de tecnologia, e isso é uma perspectiva de futuro muito importante. Agora, não podemos sonhar que vai vir uma empresa que vai ter mil empregos, até porque não existe mais empresa com mil empregos. Hoje, nenhuma indústria de automóvel chega a esse número de trabalhadores.

Então, a indústria do futuro, sem chaminé, é o turismo, é a cultura, é a saúde, é a educação. Pelotas é um polo vocacionado para isso, com as suas indústrias tradicionais na área da alimentação. Então é uma coisa potente para nós.

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