Perdas pontuais. Estradas destruídas. Pontes levadas. Terra com erosão. Dificuldade no escoamento da safra. Mais uma vez, o agronegócio é um dos grandes atingidos por um evento climático extremo. Em plena safra de pêssego, mais uma vez, o interior de Pelotas sofre. Mais uma vez, os produtores veem um ano promissor ser prejudicado por uma série de desafios, passando pelo preço ofertado e pela infraestrutura. Na cidade que mais produz a fruta no país, há pouquíssimo a se comemorar nos últimos anos.
Os grãos foram menos atingidos, pelo período de sua maturação. Por isso, esse momento não foi tão prejudicial. Ainda assim, soja, milho e arroz são também constantemente prejudicados pelo clima e por desventuras em série. Uma região que tem no agronegócio um de seus pilares econômicos, precisa olhar para isso com atenção. Para além das sempre citadas ações necessárias de mitigação das mudanças climáticas, são urgentes ações efetivas para o agora. Porque o setor não aguenta mais sofrer com perdas e o socorro é fundamental para que ele siga existindo com a força que a nossa comunidade deseja que tenha.
O desgaste do solo é um dos pontos mais citados e políticas públicas de reforço já deveriam ter se tornado padrão diante do cenário dos últimos anos. É só olhar para o histórico de alternância entre enchentes e estiagens, entre ciclones e granizo. Volta e meia algum socorro é feito, quase sempre após tratoraços e pressões à bancada ruralista. É preciso mais e colaborar com essa evolução é essencial para que o produtor não se desmotive ainda mais.
A infraestrutura é um outro ponto. Em um mundo cada vez mais hiperconectado e digital, estarmos à mercê do isolamento físico e virtual a cada temporal é também uma dor que o campo carrega. Reforçar estradas, fortalecer pontes e exigir que operadoras forneçam tanto energia elétrica quanto internet de qualidade para essas áreas é também garantir a permanência e o fortalecimento do campo. Ninguém cobra o asfaltamento de todas as estradas, mas respostas urgentes e uso de material qualificado para mitigar os efeitos são o mínimo diante do “novo normal” que vivemos.
