Dizem que um tempo atrás, morreu um poeta engasgado com as palavras que nunca pronunciou.
Levou consigo todo o conhecimento adquirido.
Não falou mais nada, encerrou sua história, dando um fim à própria vida.
Contam que era sentimental de sobra.
Guardava quase nada dentro do peito; costumava mandar tudo para o mundo.
Tudo que chegava ao seu pensamento era conto, trecho.
Mas chegou um dia em que o mundo resolveu olhar de perto para saber quem seria esse sujeito esperto.
Ficou muito incomodado com o que viu e em sua vida, interviu sem piedade.
Todavia, por medo ou receio, dizem que ele se calou.
Viveu anos sendo respeitado por onde andava, mas lhe fugia o respeito dentro da própria casa.
Poeta tolo, não conseguia enxergar respeito por si mesmo.
Via-se como rejeitado, fracassado e perdido por nunca ter agradado o mundo inteiro.
Morreu sozinho, sem nenhuma companhia, pois todos o abandonaram, inclusive a sua amada poesia.
Sufocou-se com as próprias palavras guardadas na garganta,
por achar que necessitava de uma aprovação externa.