O viaduto do quilômetro 521 da BR-116, no cruzamento com a avenida 25 de Julho, registrou mais uma queda de material na madrugada de quinta-feira (27). Segundo a Ecovias Sul, o desmoronamento ocorreu por volta de 1h30min, no sentido norte, e levou ao bloqueio total da pista principal em direção a Camaquã. O tráfego foi desviado pela via marginal, com sinalização e presença das equipes no local.
A concessionária informou que a recuperação seguirá o mesmo procedimento adotado nas ocorrências anteriores: análise detalhada do dano, definição do projeto de reparo, compra de materiais e execução da obra. A estimativa é de um a dois meses de trabalho, prazo padrão para reparos desse tipo.

Primeiro rompimento do muro de contenção do viaduto no km 521, em 9 de agosto de 2024. (Foto: Ecovias Sul)
Esta é a terceira ocorrência no km 521 em apenas 16 meses. Desde agosto de 2024, o ponto já registrou fuga de material e, depois, em fevereiro de 2025, um novo rompimento no paramento – a face de blocos de concreto que reveste o muro de solo. À época, a empresa havia evitado tratar o episódio como reincidência, alegando que o caso anterior ocorreu no lado oposto da pista.

Segundo rompimento do muro de contenção do viaduto no km 521, em 24 de fevereiro de 2025. (Foto: Jô Folha)
Análise de especialista
Em análise feita pelo engenheiro e professor da Furg, Diego Fagundes, especialista em obras de terra e fundações, esse tipo de falha costuma estar ligado à perda de atrito entre o solo do viaduto e os blocos, ou à ruptura na conexão entre o reforço e o paramento. Ele destacou que os blocos rígidos, sem juntas, podem fissurar a partir de pequenas deformações, comprometendo a fixação dos reforços e levando ao colapso da parede.
Sobre a estabilidade do viaduto após episódios desse tipo, Fagundes afirmou que é necessário considerar as características do solo, os reforços instalados e as cargas aplicadas pela estrutura e pelo tráfego. O professor também defende o uso de instrumentos de monitoramento, como placas e pinos de recalque e inclinômetros. Segundo ele, a falta de acompanhamento técnico aumenta riscos e pode gerar prejuízos maiores.
Outro viaduto com problemas
Além das ocorrências no km 521, outro caso recente reacendeu o alerta: no início de novembro, o viaduto do km 514, na entrada da Vila Princesa, também apresentou desmoronamento parcial do muro de contenção.

Rompimento do muro de contenção do viaduto no km 514, em 7 de novembro de 2025. (Foto: Ecovias Sul)
Por segurança, o tráfego sobre a estrutura foi desviado para a marginal, e a liberação total da pista ainda depende da conclusão das obras. Com isso, em um intervalo de sete quilômetros da BR-116, dois viadutos estão com tráfego desviado.
Estudos avançados junto à ANTT
Em nota enviada após o novo incidente, a Ecovias Sul afirmou que já vinha tratando com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a necessidade de estudos aprofundados para identificar as causas dos desmoronamentos, mesmo antes das ocorrências mais recentes. A concessionária também reforçou que mantém manutenção rotineira e monitoramento das estruturas sob sua responsabilidade, e que, no caso dos muros, “não havia indícios visuais ou estruturais que permitissem prever os episódios”.
Cronograma de obras
Segundo a empresa, a obra de recuperação do km 514 deve começar na próxima semana, utilizando a mesma técnica empregada no próprio km 521 em junho deste ano. A intervenção, segundo a concessionária, foi bem-sucedida. Para a nova queda registrada ontem, também no km 521, o prazo estimado é de um a dois meses, com liberação do tráfego após a conclusão dos reparos.
Matéria atualizada às 15h27min de 27/11/2025.