A estilista Gabrielle Pilotto, proprietária da marca Ventana, esteve em Pelotas no sábado, convidada para falar no 6º Congresso Mulheres Empreendedoras realizado pela Associação Comercial de Pelotas. A empresária foi o Case de Sucesso do evento. De futura médica ao trabalho reconhecido na área da moda circular, a pelotense criou a empresa em 2020, em Santa Catarina.
Sediada em Balneário Camboriú, a Ventana participou da Semana de Moda de Nova York em 2023, mas passou por um revés e uma sociedade desfeita. De novo sozinha, Gabrielle reergueu a marca, que de lá para cá fez colabs com C&A e Animale, além de assinar o figurino da turnê do músico Vitor Kley. No dia 10 de dezembro, a Ventana vai desfilar uma nova coleção na Casa de Criadores, em São Paulo, dentro do projeto Eu vim de lá, da marca Kenner.
Quando tu saíste de Pelotas? Tu começaste a trabalhar com moda aqui?
Saí em 2015 daqui. Em 2012 eu criei o brechó aqui, que se chamava La Pergunta. Duas amigas, uma jornalista e uma designer, me ajudaram. Uma fez a arte, a outra fez o texto. Fizemos esse trabalho em conjunto e nasceu o brechó. Eu fazia (roupas), vendia pras amigas e foi dando certo. E nisso eu falei, será que eu quero mesmo ser médica? Eu estava estudando para medicina. Eu falei: ’acho que não’. Eu consegui essa bolsa de 100% em Santa Catarina e fui pra lá, estudar moda. Entre muitas coisas eu acabei saindo da faculdade, mas foquei nesse trabalho com a moda. Então isso que começou aqui, foi crescendo e expandindo quando eu já estava lá.
Então tu não finalizaste faculdade de moda?
Não. Eu voltei esse ano pra faculdade pra conseguir terminar. Porque eu fui até o quarto e aí eu queria ter esse diploma.
Atualmente quantas pessoas estão envolvidas com a produção das coleções?
Até hoje eu crio tudo dentro do meu ateliê. Trabalho com uma costureira que é a Vivian, eu trabalho com outra faiate de Floripa. Então, são umas cinco, seis pessoas que tem seu próprio negócio e que daí eu levo os meus projetos até eles. Então, a costureira, ela já é uma costureira não é uma funcionária, mas a gente já tem uma parceria que funciona em formato de horas, que ela faz as minhas coisas e faz as coisas dela também. Então, assim, ninguém é meu funcionário diretamente. E tem umas sete crocheteiras do projeto Graci Arte.
E a matéria-prima hoje vem de onde?
Vem de brechó, mas vem também de fábrica, por exemplo, essa camiseta que eu tô, eu achei um lugar que vende por quilo o que a indústria fala que tem defeito. E essa peça foi descartada. Eu vou lá e pego e retrabalho, se tem modelagem ruim ou furo eu arrumo, se tem uma estampa que eu não gosto eu passo a minha em cima. É bem diverso a maneira que eu trabalho. Também tô trabalhando agora com o artesanal. Sempre trabalhei com crochê. Agora, eu também faço isso com crocheteiras de lá.
A Ventana é uma marca de sucesso?
Depois de passar a sociedade, de reconstruir a marca. Depois de todas essas idas e vindas, eu consigo dizer que a minha marca é de sucesso, não só aquilo que as pessoas veem, ela tá funcionando, tá conseguindo vender, ter lucro. Eu não conseguia ver o sucesso muitas vezes, porque era essa bagunça toda, sociedade que não deu certo, financeiro que tava ruim… Embora tivesse muita coisa bonita acontecendo, eu, de dentro, não conseguia enxergar isso que todo mundo enxergava. Hoje eu consigo ter essa visão, porque eu acho que o sucesso é também eu estar em paz com essa empresa, com as coisas acontecendo.
