Vittorio Ardizzone é o novo presidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel). Com postura conciliadora, o industrial projeta executar um mandato de união, voltado à busca de soluções. Ele se define como um associativista nato e assume em conjunto com os demais integrantes da chapa: José Augusto Vaniel (1º vice-presidente); Ubirajara Terra (2º vice-presidente); Jones Wendt e Jaciara Bauer (diretores); e Jorge Tuchtenhagen e Rodrigo Real (tesoureiros).
Em conversa com o Grupo A Hora, Ardizzone falou sobre o cenário das indústrias em Pelotas.
O que os industriais não querem em 2026, ano eleitoral?
Que não haja aumento de impostos. A carga tributária já é absurda e o setor industrial carrega um peso violento, inclusive na questão da mão de obra. A tributação sobre mão de obra é algo absurdo. A segunda preocupação é o que vai acontecer no próximo ano. Percebemos um país em que, embora se diga que muitos setores estão indo bem, há 50 milhões de pessoas recebendo Bolsa Família, enquanto o desemprego divulgado está em 5%. Esse processo de mascarar realidades preocupa sobremaneira e já se percebe um freio nos investimentos. O setor industrial não consegue trabalhar com horizonte curto: os investimentos são pesados, de retorno a longo prazo. Por isso, vivemos um momento delicado, que deve se manter no próximo ano.
Como podemos aproveitar o polo naval em Pelotas?
Esse movimento para a região é muito importante, pois traz novo dinheiro circulando. Mesmo Pelotas não estando diretamente na área de produção, a cidade ficou com a retaguarda e o apoio — principalmente de muitos fornecedores para Rio Grande. O polo Pelotas–Rio Grande anda sempre de mãos dadas, e isso gera oportunidades para os dois municípios. A região como um todo ganha, e precisamos pensar de forma regional, unindo forças e potencialidades.
Como Pelotas pode atrair mais indústrias?
Para trazermos empresas, precisamos ter uma vantagem competitiva forte pela nossa localização geográfica. O grande atrativo da região é o Porto de Rio Grande. O poder público precisa criar incentivos profundos para permitir que empresas se instalem aqui, produzam e escoem via Porto de Rio Grande ou Porto de Pelotas. É preciso ter uma política de atração de empresas, e hoje Pelotas não tem. Para que uma grande indústria venha, ela vai querer alguma vantagem que compense os custos extras. Já para as novas indústrias que estão surgindo aqui, é necessário criar condições para que permaneçam e ganhem escala.
A Lei da Inovação foi aprovada recentemente. Como a indústria avalia o texto?
Ainda não consegui analisar a lei em detalhes, mas, pelo que vi, ela é ótima — especialmente para quem não tinha nada. Setores como o APL da Saúde, com toda a estrutura que está sendo montada no prédio cedido pela Lifemed, merecem ser parabenizados. É impressionante que o setor esteja crescendo mesmo longe dos grandes centros consumidores. Eles estão utilizando a principal matéria-prima que existe: a inteligência. É inadmissível que continuemos apenas exportando mão de obra qualificada.
Quais as expectativas para o mandato?
Por formação e educação familiar, sou um associativista nato — não sei trabalhar sozinho. Meu pai também sempre esteve envolvido com entidades, colaborando, e eu aprendi o mesmo.
Estamos estimulando a entrada de novos associados e indústrias de novas áreas, convidando-os a participar de conversas sobre o setor. Criamos um ponto de encontro às segundas-feiras, das 18h às 20h. Todas as conquistas obtidas para o setor industrial, ao qual pertenço, passaram pelo trabalho coletivo. O que pretendo é chamar os colegas industriais de Pelotas — associados ou não — para conversarmos e definirmos o que podemos construir juntos.
