Situada em uma região ambientalmente importante da Zona Sul, Rio Grande foi a primeira cidade do Estado na contemplação do edital AdaptAÇÃO, promovido pelo Ministério das Cidades, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com o Observatório das Metrópoles. A partir desta contemplação, a cidade receberá um apoio técnico para aprimoramento de instrumentos de política urbana, voltados à adaptação climática.
A parceria tem como objetivo fortalecer a capacidade do município de planejar e implementar ações que promovam a resiliência urbana, a redução de riscos e a melhoria da qualidade ambiental. Com isso, Rio Grande será integrada a uma rede de cidades que buscam soluções inovadoras e colaborativas para o futuro.
O projeto foi desenvolvido em conjunto entre a Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e a Secretaria de Planejamento da cidade.
O secretário de Meio Ambiente, Antônio Carlos Soler, comemora a contemplação, tendo em vista a possibilidade da região voltar a registrar a ocorrência de eventos climáticos extremos de forma rotineira, em momentos próximos. “Estamos felizes com a contemplação, onde diversas cidades do Estado participaram, e que também são vulneráveis. É mais uma de várias ações que estamos fazendo. Sabemos que os eventos acontecerão com mais frequência, mas o poder público precisa se preparar”, afirma.
Ações previstas
O edital do AdaptAÇÃO buscou selecionar, com prioridade, municípios com maior vulnerabilidade climática, lideranças femininas, negras e indígenas, e localidades do Rio Grande do Sul atingidas por desastres recentes.
Serão oferecidas para as equipes técnicas municipais, sociedade civil e comunidade acadêmica, capacitações presenciais e virtuais, produção de guias metodológicos, relatórios e materiais de referência, oficinas e workshops, além da formação de uma rede nacional de pesquisa para avaliação e implementação de instrumentos políticos com foco na adaptação climática.
Estas ações devem iniciar ainda neste ano e se estenderem até 2026.
Prioridades
De acordo com o secretário, a prioridade macro da atual gestão em Rio Grande é o cuidado com a orla do município, o que contempla a proteção social e ambiental dos espaços no entorno da Lagoa dos Patos. Em especial, a atenção é voltada para as áreas de banhado, que são aquelas potencialmente alagáveis, e que ao serem ocupadas, aumentam o desafio técnico e ambiental.
Além disso, o poder público desenvolve, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), um levantamento dos dados da emissão de gases do efeito estufa na cidade. A ação é financiada pelo Fundo Municipal do Meio Ambiente. “Sem a ciência, não temos como fazer uma política de enfrentamento das mudanças climáticas. É o ponto de partida técnico e científico para se construir um plano de melhor enfrentamento”, afirma Soler.
Orla da Praia do Cassino
A gestão da orla da Praia do Cassino é realizada pelo governo municipal. O secretário de Meio Ambiente afirma que, para além da temporada, são estruturados planos de ação para o espaço, que recebe cerca de 160 mil visitantes durante o verão.
Um dos principais pontos abordados por Soler, é o trânsito de veículos na orla da praia, atividade cultural que diferencia o Balneário. “Estamos construindo iniciativas para que esse impacto seja cada vez menor e que não afete a questão cultural e a economia dos ambulantes neste período. Há um trecho da praia que a circulação de veículos é proibida e ele é inteiramente destinado ao lazer”, diz.