Simultaneamente, Pelotas e Porto Alegre recebem até a próxima semana uma série de espetáculos de teatro e oficinas que celebram as performatividades negras no Sul do Brasil. A proposta é do festival Cura 2025 – Deslocamentos, ideia pensada como um espaço de aprendizado sobre relações étnico-raciais, ampliando as imagens e as formas de ser negro no país para além do espectro da dor. A comunidade pelotense terá até o dia 19 deste mês para assistir à programação que se desenvolverá em diferentes locais, gratuitamente.
O ator Thiago Pirajira, professor do curso de Teatro e no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), explica que a mostra de artes cênicas negras está ligada ao Núcleo de Práticas Radicais: Grupo de Estudos e Pesquisas em Artes, Gênero e Relações Étnico-Raciais – (CNPq/UFPel), que ele coordena. “O festival esse ano tem uma abrangência nacional. Então, a gente tem artistas que vêm de Porto Alegre, de São Paulo, de Minas Gerais. Alguns desses artistas passam em Porto Alegre e depois se apresentam em Pelotas, outros vêm diretamente para Pelotas”, explica Pirajira.
Início na pandemia
A mostra surgiu durante a pandemia, em 2020, quando os curadores e equipe passaram a trabalhar para jogar luzes sobre a vasta produção de artistas brasileiros e internacionais que atuam no campo das artes cênicas. Esta é a terceira edição da mostra Cura, com recursos da Lei Aldir Blanc, que chega fortalecida e cumprindo sua função política em um país marcado pelas desigualdades. Desta vez a ousadia passa pela proposta de construir um festival simultâneo em duas cidades que se encontram a uma distância de 240 quilômetros uma da outra: Porto Alegre e Pelotas.
Em Pelotas os espetáculos começaram ontem e vão até o dia 19. As peças serão apresentadas no Colégio Pelotense, no Céu das Artes, no bairro Dunas, na sala Carmem Biasoli, no Centro de Artes da UFPel, e no Clube Cultural Fica Ahí pra Ir Dizendo. Hoje, o grupo Contadores de Mentira, da cidade de Mairiporã, no estado de São Paulo, apresenta Cícera, às 19h, na sala Carmem Biasoli, na rua Alberto Rosa, 117.
Protagonismo
Thiago Pirajira comenta que a curadoria traz espetáculos que vão além de tratar das desigualdades, os textos, sobretudo, giram em torno do protagonismo e dos aspectos positivos das experiências negras no teatro. “Esse ano a mostra gira em torno da ideia de deslocamentos, que justamente promove essa reflexão um pouco mais aprofundada sobre quais as temáticas. Temos temáticas como as denúncias diante das desigualdades, mas temos também as festividades, celebrações, temáticas que envolvem os aspectos de imaginação de futuros possíveis com as populações negras”, fala o professor.
A programação abrange estéticas e pesquisas plurais, incluindo grupos longevos como Contadores de Mentira. Todas as ações são gratuitas e o programa completo pode ser conferido nas redes sociais da mostra, pelo @mostracura. “A gente também tem os programas informativos que são distribuídos nas bilheterias, nas entradas dos espetáculos”, fala Thiago.
A distribuição dos ingressos é feita presencialmente no local, uma hora antes de cada apresentação. “Geralmente os espetáculos vão ser às 19h, então a partir das 18h já vão estar sendo distribuídos os ingressos no local”, adverte o professor.
