A prefeitura de Capão do Leão procurou o Núcleo Integrado de Previsões (NIP), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), para o desenvolvimento de um projeto técnico e detalhado sobre seu território. Ao unir esforços com a ciência, a cidade dá um passo importante nas ações para resiliência climática e administração territorial.
Coordenado pelo meteorologista, Matheus Teixeira, e pela engenheira cartográfica, Diuliana Leandro, o estudo será produzido especificamente para Capão do Leão, a partir do levantamento topográfico da cidade e da batimetria dos cursos d’água que percorrem o perímetro urbano. “Com essas informações, serão fornecidos subsídios para a administração municipal traçar ações contra inundações e a preparação da área urbana para a possibilidade de desastres climáticos”, afirma Teixeira.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Ricardo Decker, quando o município debruçou-se para trabalhar a questão das cheias em 2024, foi observada a necessidade de desassoreamento em pontos do arroio Padre Doutor, na zona urbana de Capão do Leão. A partir desta demanda, surgiu a necessidade de atualização do mapeamento territorial, a identificação de áreas de maior fragilidade ambiental e sujeita a desastres naturais. “Ao identificar a excelência do trabalho desenvolvido pelo NIP, então compondo a sala de situação junto a defesa civil estadual e do município, estabelecemos contato no sentido de firmar um convênio de cooperação técnica”, diz.
Como irá funcionar?
O projeto que será desenvolvido em Capão do Leão é nomeado ”Diagnóstico e adaptação para a Resiliência Climática: aplicações em meteorologia, hidrologia, modelagem e mapeamento”. Entre outros dados levantados, será realizado um diagnóstico técnico dos principais cursos d`água, com ênfase na batimétrica de canais e planícies de inundação, bem como análise hidrológica e climática das bacias hidrográficas envolvidas, com destaque para os arroios São Pedro e Padre Doutor, nas áreas urbanas.
Serão estimadas cotas e manchas de inundação para eventos de chuva com diferentes probabilidades de ocorrência, permitindo avaliar os riscos associados a inundações em distintos cenários hidrológicos.
Além disso, a equipe do NIP irá realizar simulações de medidas estruturais, como diques de contenção e ações de dragagem. “O objetivo é analisar a efetividade dessas intervenções na mitigação das áreas inundáveis, com especial atenção para a região da Avenida Narciso Silva e outros setores críticos da zona urbana e periurbana definidos em conjunto com a secretaria”, acrescenta Decker.
Será realizado levantamento aéreo com sensor LiDAR embarcado em drone, o mesmo utilizado para as ações que já são realizadas na divisa entre Pedro Osório e Cerrito, para gerar uma base cartográfica de alta resolução. Essa base fornecerá subsídios, não apenas para os estudos hidrológicos e hidráulicos previstos no convênio, mas também para diversas outras finalidades, como o planejamento urbano, a melhoria da mobilidade, a regularização fundiária e a gestão ambiental de Capão do Leão.
Relevância para a região
O meteorologista e coordenador do projeto pelo NIP destaca que, após a produção do estudo, a cidade estará em um patamar muito diferenciado na região Sul, a partir da preocupação com as inundações e a administração urbana. O prazo para a produção é estimado em seis meses, com apresentação dos resultados em abril de 2026.
Sobre o impacto que o projeto terá, para além do município, Teixeira espera que a tomada de decisão, pela administração pública, sirva de exemplo para a região. “As cidades precisam enxergar esse problema e se preparar com antecedência. É usar a ciência para proteger a população”, afirma.
Além dos dois coordenadores do projeto de Capão do Leão, a equipe do NIP que atuará em seu desenvolvimento é formada pela engenheira hídrica Tamara Beskow, os meteorologistas Henrique Repinaldo e Douglas Lindemann, os matemáticos Daniela Buske e Regis Quadros e o hidrólogo Samuel Beskow.
