Motivada pela tradição da cidade, a Conservas Oderich S/A viu em Pelotas a oportunidade de expandir seu mercado, com foco na produção de doces em conserva. Foi assim que, em 1997, instalou às margens da BR-392 a sua primeira filial fora de São Sebastião do Caí. Após 28 anos de atuação, a empresa afirma que a unidade é estratégica para a expansão da marca, por meio da exportação de produtos.
A Oderich foi a primeira empresa de enlatados do Brasil, fundada em 1908, e a terceira no mundo. Com filiais também instaladas em Goiás, tem capacidade de produção anual superior a 100 mil toneladas de alimentos ou 300 milhões de unidades, entre conservas de carnes, legumes, compotas de frutas, molhos, picles, atomatados e maioneses.
Sendo uma empresa familiar desde sua constituição, é comandada, atualmente, pela 4ª e 5ª geração Oderich. Entre corpo técnico e trabalhadores de produção, a empresa conta com mais de 2,3 mil colaboradores e 2 mil agricultores familiares dentro da sua cadeia produtiva.
Perspectivas para Pelotas
O diretor de marketing, Thomas Oderich, destaca que a cidade é uma peça importante para o planejamento estratégico da empresa. “Pelotas tem o potencial de voltar a ser o que era no passado. Tem um mix interessante de itens produzidos, com frutas e vegetais, ainda mais com a demanda que é ampliada por pêssego em conserva, nosso carro-chefe, no período de festas de final de ano. Estamos sempre buscando por mão de obra na região”, afirma.
Como diferencial, o representante pontua o conhecimento produzido pelas universidades e a disponibilidade que a Oderich tem em agregar estes conhecimentos no dia a dia da parte laboral. “O período de safra é de contratações em larga escala. Temos pessoas com sede por crescer e empreender. Pelotas é rica em atividade e precisa aproveitar o potencial que tem em mãos, mobilizar entidades empresariais para, juntos, crescermos e mostrarmos o potencial que a região tem”, diz Thomas.
A empresa projeta lançar um novo produto, em breve, voltado para a produção pelotense. A novidade, na visão do representante, ilustra a confiança da empresa no mercado e confirma o cenário de bons negócios na região. “Fizemos todo um trabalho de investimento em Pelotas, nossa unidade está sempre se renovando, investindo em maquinário para se reinventar e acompanhar o mercado”, afirma.
Desafios
Ao longo dos anos, segundo Thomas, a empresa precisou enfrentar percalços e obstáculos, como qualquer empreendimento. Entre os principais desafios, ele lista o período de enchentes do ano passado, onde as filiais de São Sebastião do Caí e de Eldorado do Sul foram tomadas pelas águas, tiveram perdas de produtos e maquinários, além de diversos problemas logísticos. No entanto, a unidade de Pelotas, como não foi impactada diretamente pelas águas, manteve a produção.
Na filial pelotense, o diretor destaca que a principal dificuldade tem sido encontrar mão de obra qualificada e obstáculos governamentais.
Exportação
A Oderich exporta seus produtos para cerca de 80 países, além do envio de marcas próprias para a Argentina e Uruguai. Thomas afirma que a atuação no mercado externo vem crescendo cada vez mais, onde de 35% a 45% do que é produzido é exportado.
Para isso, a unidade de Pelotas mostra-se ainda mais estratégica pela proximidade com o Porto de Rio Grande, dada a impossibilidade de exportação pelas demais filiais. “Acreditamos em Pelotas. Iremos fazer um esforço para aumentar o mix de produtos para além dos doces de safras definidas, para dar plena atividade para a unidade ao longo do ano”, projeta.
