O ano eleitoral é mágico. Tudo se resolve.

Opinião

Jarbas Tomaschewski

Jarbas Tomaschewski

Coordenador Editorial e de Projetos do A Hora do Sul

O ano eleitoral é mágico. Tudo se resolve.

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Acostume-se ao maravilhoso mundo do ano eleitoral. Em breve, a Zona Sul receberá notícias espetaculares, na forma de soluções para problemas que, não raro, já duram mais de uma década. Autoridades chegarão aqui com mensagens embaixo do braço. Serão acompanhadas por porta-vozes locais para anunciar o fim de todas as nossas dificuldades.

Já acontece — e é possível perceber na sutileza (ou não) dos comentários de quem fala por este ou aquele governo. Projetos encalhados em gavetas, empoeirados em prateleiras e esquecidos em armários já são remexidos e serão revisitados em breve para voltar com outra roupagem. Ao estilo “agora vai”, seremos iludidos. Alguns vão acreditar, outros vão virar as costas, e os desinformados agirão como se estivessem diante de uma grande novidade.

Os anos eleitorais são mágicos. Têm a capacidade de mexer com a expectativa de um povo iludido. Rodovias serão terminadas, acessos asfálticos retomados, linhas de trem reativadas, habitações construídas do dia para a noite, equipamentos chegarão aos hospitais, escolas ganharão status de primeiro mundo. As árvores de papel darão frutos como nunca em 2026.

Mas vamos aos fatos. Nenhum projeto público acontece sem recursos. E, quando passamos a discutir as contas federais do Executivo, os números são de arrepiar. A Medida Provisória que aumentava a arrecadação no Brasil perdeu a validade nos últimos dias, o que impôs enorme dificuldade ao cumprimento da meta em 2026. Além disso, o governo reluta em reduzir seus gastos. Estima-se que, no ano que vem, mais de 90% das despesas obrigatórias engulam o orçamento arrecadado por meio dos impostos. Em outras palavras: não haverá recursos para investir. E, sem moeda, qualquer promessa é fantasiosa.

A melhor forma de lidar com promessas furadas é confrontar com dados quem tenta vender ideias falsas. Duas ou três perguntas são suficientes para desmontar agentes políticos portadores de notícias com alto teor de mentira. É preciso exercitar com intensidade os pronomes como, por que, qual, quanto, quando e quem. Poucos resistem a tantos questionamentos.

Nós, cidadãos eleitores, precisamos elevar a régua em anos eleitorais e deixar de aceitar tudo o que chega por aqui. Devemos nos rebelar contra quem tenta nos iludir e nos tratar como fantoches. Mais ainda: criticar e cobrar as figuras a tira-colo, que também apoiam esse tipo de ação e ajudam a montar o teatro ilusório do pré-urnas. Chega de ser tratado como marionete. O pensamento é simples: por que as iniciativas que nunca foram executadas em anos serão agora, num passe de mágica, resolvidas em poucos meses?

Prepare-se. O ano eleitoral vem aí, com a cartilha pronta e armadilhas. Informe-se, reflita e confronte antes de aceitar o que vão tentar te convencer.

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