“Alzheimer é um dos maiores problemas de saúde pública”

ABRE ASPAS

“Alzheimer é um dos maiores problemas de saúde pública”

Doutor João Senger - Médico geriatra

Por

“Alzheimer é um dos maiores problemas de saúde pública”
Médico é especialista em Alzheimer (Foto: Acervo Pessoal)

O doutor João Senger foi convidado do programa Papo da Hora, da Rádio Pelotense. Médico geriatra, Dr. Senger esclarece algumas questões envolvendo doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer – a forma mais comum de demência. A condição é caracterizada pela perda progressiva de funções cognitivas, como memória, linguagem e raciocínio, devido ao dano e morte de células cerebrais.

O Alzheimer é uma doença que faz parte de um todo? A demência tem várias formas, entre elas o Alzheimer. Seria isso?
É fácil de entender com um exemplo: assim como existem diferentes carros da Volkswagen ou da Fiat, a demência também possui vários tipos. O mais comum é a doença de Alzheimer, que corresponde a cerca de 65% dos casos. Depois, temos outras formas, como a demência dos corpos de Lewy, a demência frontotemporal e a demência vascular. A doença de Alzheimer é a mais frequente, mas existem outros tipos.

O que, de fato, evoluiu nos últimos anos nos cuidados e na medicina para essa doença?
Acho que a medicina ainda precisa trabalhar muito, mas ela evoluiu bastante nos últimos 20 anos. Antes da virada do século, o diagnóstico era puramente clínico, só pela conversa e pela história do paciente, até porque, pelo exame físico, não há nada de especial, principalmente no início. Por volta de 2004, começaram a aparecer alguns exames de imagem com contraste, que mostravam o cérebro. A doença é formada basicamente por duas proteínas: a amiloide e a tau. Esses exames começaram a indicar que pessoas com mais proteína amiloide eram mais propensas a desenvolver a doença.

Esses exames chegaram ao Brasil há três ou quatro anos, mas são caros, custando em média R$ 12 mil. Além disso, existem medicações novas chegando, algumas já disponíveis no Brasil. Esses medicamentos precisam ser aplicados em fase inicial, o que requer algum exame de imagem ou de sangue. Estamos evoluindo. Talvez em dois ou três anos tenhamos exames de sangue mais acessíveis e medicamentos mais efetivos. Hoje, os medicamentos disponíveis são apenas sintomáticos; eles retardam a progressão, mas não tratam a doença. Nosso objetivo é impedir a perda neuronal desde o início.

Dados do Ministério da Saúde indicam que quase 9% da população com 60 anos ou mais convive com a doença – quase 2 milhões de casos. Até 2050, a projeção é de quase 6 milhões. O senhor, na linha de frente, percebe aumento significativo nos casos?
Sim, mas precisamos contextualizar. O aumento está ligado ao envelhecimento da população. O maior fator de risco para Alzheimer é a idade. Entre pessoas de 65 anos, 10% a 15% são acometidas. Aos 80 anos, o número sobe para 25%, e aos 90 anos chega a quase 40%. A população acima de 90 anos é a que mais cresce no mundo, o que explica o aumento esperado de casos. Por isso, Alzheimer é um dos maiores problemas de saúde pública. É possível tentar prevenir ou retardar a doença. Existem 14 fatores de risco, como hipertensão, diabetes, tabagismo, isolamento social e deficiência auditiva. Durante a pandemia, por exemplo, o isolamento dos idosos causou declínio cognitivo significativo. Adotar um estilo de vida saudável é essencial: manter peso adequado, praticar exercícios, evitar tabagismo, controlar colesterol e pressão arterial. Essas medidas não custam nada, mas são muito importantes e podem retardar o aparecimento da doença.

Acompanhe
nossas
redes sociais