A rota do passado que pode transformar o futuro

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

A rota do passado que pode transformar o futuro

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Atualizado quarta-feira,
08 de Outubro de 2025 às 08:32

A Hidrovia da Lagoa Mirim e Canal de São Gonçalo é um projeto que busca resgatar uma rota fluvial histórica entre o norte do Uruguai e o Porto de Rio Grande. A proposta envolve dragagem, sinalização e manutenção periódica dos canais, além da construção de terminais, incluindo o planejado em Tacuarí, no Uruguai, e estudos de portos em Jaguarão, Arroio Grande e Santa Vitória do Palmar.

O objetivo é reduzir custos logísticos para produtos como arroz, soja e madeira, enquanto gera empregos e investimentos para a região sul do Brasil. Durante a Expofeira, o senador Luis Carlos Heinze (PP) participou de uma reunião com o Comitê de Gerenciamento da Bacia da Lagoa Mirim, na qual o vice-prefeito de Jaguarão, Jonas Barreiros (PP), destacou que o projeto ganhou fôlego e que o edital, suspenso devido às enchentes que afetaram a dragagem, deve ser relançado em novembro, abrindo caminho para uma etapa decisiva.

Hidrovia pode diminuir custos logísticos para transporte de arroz, soja e madeira (Foto: Divulgação)

O projeto enfrenta desafios técnicos e ambientais: a profundidade necessária para a navegação e a manutenção constante da hidrovia representam custos altos, enquanto a bacia abriga ecossistemas sensíveis e comunidades ribeirinhas que podem ser afetadas. Do lado uruguaio, o terminal de Tacuary é essencial para garantir volumes de carga suficientes. Se bem conduzido, o projeto pode gerar integração econômica e desenvolvimento regional; se negligenciado, há risco de impactos ambientais e subutilização da infraestrutura. O desafio será transformar uma rota do passado em uma solução moderna, eficiente e sustentável.

Mata do Totó

A Mata do Totó, um dos últimos remanescentes da Mata Atlântica em Pelotas, está no centro de um movimento estratégico da prefeitura. Em entrevista ao Jornal da Tarde, na Rádio Pelotense, o secretário de Qualidade Ambiental, Márcio Souza, revelou que o município busca municipalizar a área, atualmente de propriedade privada. O objetivo é garantir o uso sustentável e a preservação desse patrimônio natural.

A Mata do Totó é reconhecida por sua biodiversidade, abrigando espécies arbóreas nativas, incluindo algumas ameaçadas de extinção, e formando um ecossistema único.

Além da função ambiental, a área tem potencial turístico: trilhas ecológicas, o Ecocamping e áreas de lazer podem atrair visitantes, fomentar educação ambiental e gerar renda. Mais do que uma medida administrativa, a municipalização seria um passo essencial para proteger a Mata do Totó de invasões e degradação.

Local é privado e prefeitura quer municipalizar por questões ambientais (Foto: Divulgação)

Garantir que esse espaço pertença à cidade é reconhecer que a preservação ambiental não é luxo, mas prioridade. Pelotas precisa agir agora para que esse tesouro natural continue vivo, educativo e atrativo para moradores e turistas das próximas gerações.

Motim na Câmara

O Conselho de Ética abriu processos contra Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), envolvidos em um motim que paralisou sessões e desrespeitou regras básicas do Parlamento. Mais do que punir, a medida é um alerta: a democracia depende de limites claros, inclusive para os eleitos. Ignorá-los fragiliza não só a Câmara, mas todo o sistema político. Transparência e imparcialidade no processo são essenciais para recuperar a confiança da população nas instituições.

FIQUE ATENTO

Começou o período de votação da Consulta Popular 2025, e Pelotas tem papel fundamental nesse processo. Até sexta-feira, os pelotenses podem escolher, entre seis propostas regionais, quais devem receber investimentos do Estado no próximo ano. Mais do que um gesto simbólico de cidadania, a participação é determinante para que a cidade tenha acesso aos recursos: Pelotas precisa atingir pelo menos 2% de votos do seu eleitorado para que a votação tenha validade e as propostas mais votadas possam ser executadas. Essa regra faz com que a mobilização popular seja tão importante quanto o voto em si. Se o percentual mínimo não for alcançado, Pelotas fica fora da divisão dos recursos e perde a chance de financiar projetos voltados à agricultura familiar, ao enfrentamento das enchentes, ao turismo e ao desenvolvimento regional. Em outras palavras, votar na Consulta Popular é decidir se o município continuará apenas observando as prioridades do Estado ou se será protagonista delas.

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