Há 115 anos
Uma das vias mais antigas de Pelotas guarda um segredo de grafia e uma história inusitada sobre a nobreza e o poder municipal no século 19. A rua Veador Boaventura Barcelos, planejada em 1910, mas inaugurada apenas em 1926, teve seu nome constantemente distorcido ao longo das décadas, aparecendo em listas oficiais como “Vereador” Boaventura Barcelos, de acordo com o historiador Mario Osorio Magalhães, Os passeios da cidade antiga.
A troca de letras é um lapso compreensível, mas esconde a verdadeira função que deu título à rua: “Veador”, e não “Vereador”. E a diferença é mais que ortográfica; é histórica.
Cargo na corte
Boaventura Barcelos, que emprestou o nome à rua, era um “Veador de Sua Majestade”, a Imperatriz Teresa Cristina. A função, que soa estranha hoje, era de grande prestígio: o “veador” era responsável por “ver” ou fiscalizar os corredores e aposentos régios, garantindo que a imperatriz pudesse circular sem preocupações ou perigos. Um cargo de confiança exercido na Corte, no Paço Imperial.
O curioso é que Barcelos realmente foi eleito vereador em Pelotas. Em 1832, quando a Vila de São Francisco de Paula foi instalada, ele conquistou uma vaga ao lado do irmão mais velho, Cipriano. No entanto, a lei da época impedia que dois irmãos ocupassem o mesmo cargo. O assento foi para Cipriano, o primogênito.
Hoje, a rua é curta — com apenas duas quadras —, mas o seu nome carrega a nobreza do título de Boaventura Barcelos, o homem que foi Veador e quase foi Vereador.
Precursora da JK
A rua, que hoje honra esse título nobre, foi inaugurada sobre o antigo e insalubre arroio Pepino. Sua abertura fazia parte de um ambicioso plano de urbanização do então prefeito Pedro Osorio (1920-1924), idealizado pelo urbanista Fernando Rullmann.
Além de abrir caminho no local, a rua Veador Boaventura Barcelos pode ser considerada uma das precursoras da atual avenida Juscelino Kubitschek. A planificação da via, juntamente com as ruas Garibaldi, Visconde de Jaguari e Silveira Calheca, foi impulsionada por uma iniciativa antiga do Sindicato Moreira, deixando um legado urbanístico que moldou o centro da cidade.
Fonte: Os passeios da cidade antiga, de Mario Osorio Magalhães
Há 95 anos

Proprietário da Granja de Pedras Altas (Foto: Reprodução)
Visita de Joaquim Assis Brasil a Pelotas causa comoção no município
Estava em Pelotas, vindo de sua granja em Pedras Altas, o político Assis Brasil, pioneiro do grande movimento cívico que, em outubro de 1930, empolgou todo o país, que acabou por elevar Getúlio Vargas à presidência. Na chegada do trem, a estação da Viação Férrea e adjacências, foram tomadas por uma multidão à espera do ex-diplomata. A imprensa local estimou em torno de cinco mil pessoas.
Ao entrar no comboio na gare, toda a massa humana passou a ovacionar o político com gritos vibrantes e aclamações. Foram tantos os abraços que ele teve dificuldade de desembarcar. O ilustre rio-grandense foi logo cercado pelos correligionários, que o acompanharam até o automóvel, em sua companhia estavam Augusto Simões Lopes, deputado Ildefonso Simões Lopes, Urbano Garcia e João Leão Sattamini.
O comboio passou pelas ruas 7 de Abril (Dom Pedro II) e 15 de Novembro até a praça da República, atual Coronel Pedro Osorio, e dalí seguiram para a residência de Urbano Garcia, na rua Félix da Cunha, onde se hospedou. Em Pelotas fez conferências e proferiu discursos.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense
Há 50 anos
Ventos e chuvas de primavera preocupam
Embora a Secretaria de Agricultura do Estado ainda não confirmasse o problema, triticultores da Zona Sul estavam preocupados com a presença da chuva e dos fortes ventos, que assolaram a região entre o final de setembro e o início de outubro de 1975. O temor era que os dois fatores climáticos colocassem fim aos trigais.
Por outro lado, naquele mesmo ano, não havia sido verificado o surgimento de pragas, o que trouxe segurança ao setor. “Agora é esperar pelo fim da chuva para um desafogo”, afirmavam os produtores.
Já 13ª Delegacia Regional de Agricultura, juntamente com o Ministério da Agricultura, estavam atuando para combater preventivamente o míldio do sorgo e do milho. Até o final de setembro, não havia sinal da praga, mas o trabalho de prevenção tinha sido intensificado.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense