“Quanto antes a gente descobre, mais chance de cura”

ABRE ASPAS

“Quanto antes a gente descobre, mais chance de cura”

Cristiane Petrarca – oncologista do HE-UFPel, e Thiago Gonzalez Barbosa e Silva, médico mastologista

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“Quanto antes a gente descobre, mais chance de cura”
Especialistas reforçaram a importância dos exames (Foto: Nátalli Bonow)

Outubro Rosa é um movimento global que chama a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, uma das principais causas de morte entre mulheres no Brasil e no mundo. Neste mês, especialistas reforçam a importância dos exames e hábitos saudáveis para aumentar as chances de cura e reduzir os impactos físicos e emocionais da doença.

De que forma esse mês incentiva o hábito das mulheres procurarem o sistema de saúde?
Cristiane Petrarca: Outubro Rosa é uma campanha global que alerta sobre o câncer de mama, com foco na prevenção e diagnóstico precoce. Claro que ela não deve acontecer só em outubro, mas é o mês em que alertamos as pessoas para essa doença, que é muito incidente, prevalente, sendo a principal causa de mortes de mulheres no Brasil e no mundo. A estimativa para este ano é de mais de 70 mil novos casos e mais de 20 mil mortes, no Brasil, por câncer de mama.
A questão do câncer de mama é a prevenção. Há duas formas: por meio de hábitos de vida saudáveis e pelo rastreio com mamografia. Essa última já era recomendada por sociedades médicas a partir dos 40 anos. A novidade é que o Ministério da Saúde atualizou a diretriz, que antes indicava o exame apenas dos 50 aos 69 anos. Agora, recomenda-se iniciar aos 40 anos, anualmente, com avaliação individual, e estender até os 74 anos, acompanhando o aumento da expectativa de vida.

Na vivência de vocês, no hospital, hoje temos mulheres mais jovens enfrentando câncer de mama ou não?
Thiago Gonzalez: No Brasil, há dados que mostram, inclusive, esse era um dos argumentos para começar mais cedo a mamografia, que até ¼ dos casos acometia mulheres entre 40 e 50 anos. A diretriz pública indicava iniciar o rastreio aos 50, mas os dados estatísticos mostravam que até 25% das pacientes com câncer de mama estavam começando antes disso. No caso do câncer de mama, a questão de vencer ou não a batalha… como mastologista, fico muito feliz em dizer que, na maioria das vezes, a gente vence a batalha. A grande questão é o diagnóstico precoce. Mais do que tentar prevenir o câncer, é identificar cedo, porque quanto antes a gente descobre, mais chance de cura.

O câncer de mama é genético ou não? Ou depende da paciente? Ou são casos e casos?
Thiago Gonzalez: O câncer de mama hereditário, relacionado a fatores genéticos, tem uma estimativa de ocorrência entre 10% e 15% dos casos. A grande maioria é causada por mutações individuais. Claro que o histórico familiar é algo que valorizamos muito, até porque, mais do que o número de casos, o grau de parentesco e a idade de surgimento são indicativos ou não de um componente genético. Mas a maioria dos casos resulta de mutações espontâneas. A própria paciente, ao longo da vida, em algum momento no processo de replicação celular, teve uma falha que o sistema de defesa – o controle de qualidade do organismo – deixou passar, e aquilo eventualmente virou um câncer de mama.

Quando chegam os casos – seja uma mulher mais nova ou não – a questão de raspar o cabelo: isso, de fato, mexe muito com o emocional dessa mulher durante o tratamento?
Cristiane Petrarca: Nem todas as mulheres vão ter a queda de cabelo, porque isso depende muito do tratamento que ela vai receber, mas, muitas vezes, sim. O tratamento do câncer de mama tem um impacto muito grande — pela questão da autoimagem, da psicologia feminina. Envolve um órgão que tem tudo a ver com a feminilidade. Então, eventualmente, tu és operada e, por mais que esteticamente tu fiques bem, tu foste invadida nesse espaço.

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