“A melhor forma de aprender é errando, arrumando, tentando de novo”

ABRE ASPAS

“A melhor forma de aprender é errando, arrumando, tentando de novo”

Carolina Valverde – Empreendedora e Costureira Artesanal

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Atualizado quinta-feira,
02 de Outubro de 2025 às 11:06

“A melhor forma de aprender é errando, arrumando, tentando de novo”
Jovem iniciou na costura aos sete anos (Foto: Arquivo pessoal)

Carolina Valverde é uma empreendedora e costureira artesanal. Apaixonada por costura desde a infância, ela transforma tecidos em peças únicas e compartilha seu conhecimento com quem quer aprender a costurar de forma prática e descomplicada.

Hoje, também é referência no ensino de costura para hobbystas e profissionais que buscam criatividade e exclusividade nas suas peças. Nas redes sociais, especialmente no Instagram (@Cacavalverde), ela compartilha dicas, tutoriais e bastidores do ateliê, inspirando milhares de seguidores a redescobrirem a costura como um caminho possível e prazeroso.

Como que tu começaste na costura?
Comecei com sete anos. Não tenho ninguém na família como referência na costura, mas lembro que minha mãe tava pregando um botão na camisa do meu pai. Eu falei: ‘eu também quero’. Ela tinha um kit de costura bem pequeno, desses que todo mundo tem em casa, uma caixinha com três linhas, uns minis retalhos e agulhas. Ela disse que eu era muito pequena pra costurar, mas conta até hoje que eu respondi bem debochada: ‘aí mãe, o máximo que pode acontecer é furar um dedo’.

Depois disso, ela me ensinou o que sabia, o básico do básico. Comecei costurando à mão, fazendo fuxicos e florzinhas de tecido. Fui me interessando cada vez mais, pedindo pra eles comprarem mais coisas pra mim. Eu tinha uma caixinha pequena de costura que era meu brinquedo favorito, daí, comecei a fazer vestidos para as bonecas, e nisso, brincava de costurar, sempre com meus pais me apoiando.

Quando eu tinha uns 10 anos, minha mãe mandou arrumar uma máquina de costura da minha avó, comprada na década de 70 e nunca usada. Tenho até hoje e funciona perfeitamente. Foi com ela que comecei e me apaixonei de vez pela costura. Com 13 anos, ganhei uma máquina dos meus pais, que é a que eu uso até hoje. E nela o céu foi o limite. Pouco antes dos dez, eu já tinha participado de uma feira de artesanato, vendendo fuxicos, chaveirinhos e coisinhas simples feitas à mão.

O que mais te encanta no processo de costurar e criar roupas? Como é transformar tecido em algo que expressa a identidade de uma pessoa?
Eu sou apaixonada por todo o processo, não tem uma parte que eu diga que gosto mais. Hoje, eu não faço roupas sob medida, raramente pego, mas no Carnaval faço muita customização de abadás. E é exatamente isso: pegar uma peça pronta, transformar e ver que ela ficou a cara da pessoa.

Acho que, hoje, minha parte favorita é ensinar. Comecei a dar aulas em novembro do ano passado e fico muito emocionada com cada mensagem de alguém dizendo que sonhava em costurar, tentava e não conseguia, mas me encontrou e agora consegue. Sempre choro quando recebo foto de roupa pronta ou um relato.

Nunca fiz curso de costura, moda ou algo assim. Aprendi errando. Sempre digo que a melhor forma de aprender é errando, arrumando, tentando de novo. Quando era novinha, quase ninguém sabia que eu costurava. Com 13, comecei a fazer minhas próprias roupas, tirando molde da cabeça, olhando peças na internet e tentando reproduzir.

No ano passado, comprei alguns moldes prontos e me frustrei muito. Como eu nunca tinha feito curso, não entendia os termos técnicos. Era complexo demais pra quem costurava por hobby, como eu. E aquilo que era pra ser terapêutico começou a virar estresse.

Meu namorado me disse: ‘Por que tu não ensinas o que tu sabe, mas de uma forma descomplicada, pra quem não tem base técnica?’. E foi tudo muito rápido. No início de novembro eu tava começando a postar mais no Instagram, e um vestido que fiz bombou: mais de um milhão de visualizações. Saí da bolha. Hoje trabalho só ensinando outras pessoas a costurarem suas próprias roupas. É surreal e mágico pra mim. Se alguém me dissesse ano passado que eu estaria fazendo isso, eu não acreditaria.

Como tu vês a importância da moda artesanal hoje em dia?
Eu acho que o artesanal vem ganhando muita força. A fast fashion, feita em grande escala, acaba deixando a qualidade de lado. Já o artesanal tem outro valor: tempo, dedicação e paciência. Sempre digo pras minhas alunas que costurar é entender o processo e, principalmente, ter paciência.

Cada peça feita de forma artesanal carrega esse cuidado. Eu vejo muita gente se interessando por trabalhos manuais – costura, crochê, tricô… E, na costura, que é minha área, tem muita gente entrando. Porque, ao mesmo tempo que é uma profissão que vem sumindo, existe também uma valorização dela. Há dez anos, tu encontravas costureira em todo lugar. Hoje, não é tão simples achar uma boa costureira.

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