Não tem cabimento o tema da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, realizado nesta semana pela Universidade Federal de Pelotas, englobar o assunto “combate ao agronegócio” como um dos norteadores do evento. Mais do que desrespeitoso, a abordagem é irresponsável e desconexa da própria realidade da comunidade em que está inserida. É justo tentar entender potenciais melhorias e discutir caminhos para o agro evoluir dentro da pauta ambiental, entre tantas outras. Mas combater???
O assunto é mais um daqueles levantados de maneira hostil e antipática em ambiente acadêmico, que deveria ser justamente o contrário. A imagem das próprias instituições públicas de ensino é constantemente arranhada por abordagens feitas em pequenas bolhas, conversando para dentro, e sem compreender do que o mundo se trata de verdade. O agronegócio é responsável por alimentar famílias, por movimentar a economia, gerar emprego e renda. Do pequeno produtor ao mega proprietário de terras, o setor é responsável por praticamente um quarto da economia brasileira.
Diante de um debate tão acirrado quanto a soberania nacional, é importante lembrar também que produção de alimentos é questão essencial para o próprio fortalecimento de um país. E o Brasil tem a dádiva – graças ao agronegócio! – de ser uma nação praticamente autossuficiente na produção de alimentos. Obviamente, precisa evoluir em muitas frentes, a questão ambiental é a principal delas, mas é um setor forte e fundamental para a própria existência brasileira.
Mais uma vez, a abordagem irresponsável de um tema tão grave dentro de ambiente acadêmico, que deveria ser de discussões, construção e aprofundamento de pautas realmente necessárias à comunidade, causa cisão. Gera afastamento, ranço e até questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos na universidade. Ou seja, presta um desserviço para o próprio ambiente acadêmico, em geral, tão importante em diversas frentes para a comunidade da Zona Sul, mas tão desconexo em tantas outras situações. À instituição, cabe essa reflexão. A nota oficial, cheia de voltas e nenhuma afirmação, diz nada com coisa nenhuma. Segue a dúvida: UFPel concorda com isso e vê o agro como algo a ser combatido?