O Dia C – Dia de Cooperar, celebrado no último sábado de agosto, reforça a solidariedade e o voluntariado por meio do cooperativismo. Em entrevista ao programa Pensar Negócios da Rádio Pelotense, representantes da Unimed Pelotas e da Sicredi Interestados explicaram a relevância desse modelo para a sociedade e os desafios enfrentados pelo setor.
Segundo Raquel Machado dos Santos, coordenadora de Relacionamento da Sicredi, nas cooperativas de crédito, os associados têm participação ativa e recebem retorno proporcional à sua contribuição. “Enquanto num banco somos o cliente, o lucro vai para o acionista, na cooperativa eu sou associado, eu sou dono, eu participo da distribuição dos resultados, eu participo economicamente, porque as sobras voltam para mim”, explica.
Já na área médica, o diretor de Provimento à Saúde da Unimed Pelotas, Bruno de Moraes Gomes, reforça que no formato cooperativo, o retorno aos profissionais cooperados se dá de acordo com o trabalho realizado. “Quanto mais eu trabalhar, mais eu vou receber de volta e mais vou fortalecer a cooperativa e o mercado local”, afirma ele.
Programas e impacto social
A Sicredi Interestados realiza programas voltados para educação financeira, cooperativismo e responsabilidade social, como União Faz a Vida, Jornada de Educação Financeira nas Escolas e Cooperativos Escolares, que desenvolvem cidadania, protagonismo e autonomia nos alunos.
Além disso, o Fundo Social, ativo desde 2016, apoia projetos educacionais, sociais e culturais. De acordo com Raquel, 1,5% das sobras do Sicredi são destinadas para entidades e quem destina são os coordenadores de núcleo, eleitos em assembleia pelo quadro de associados da cooperativa.
Ela ainda faz um apelo aos jovens que, em sua visão, são o público alvo para expansão do cooperativismo. “O propósito de construir juntos uma sociedade mais próxima é muito aderente ao estilo de vida da juventude”, acrescenta.
Cooperativismo médico

A Unimed reúne 116 mil médicos cooperados, representando cerca de 40% da saúde complementar no Brasil. (Foto: Carlos Queiroz)
A Unimed reúne 116 mil médicos cooperados, representando cerca de 40% da saúde complementar no Brasil. Gomes destaca iniciativas locais da Unimed Pelotas, como doação de plataforma de treinamento do programa Remar para o Futuro e atuação durante as enchentes de 2024. “Isso foi bonito de ver na época, porque foi realmente cooperação. Ninguém ali estava pelo lucro, era por entregar o resultado”, relembra.
A cooperativa também se prepara para reformar seu estatuto, separando governança operacional e estratégica, bem como profissionalizando a gestão hospitalar.
Crescimento e desafios do cooperativismo
Raquel destaca que é preciso entender a força do cooperativismo não só pelo lado econômico e social, mas o poder transformador que ele tem nas nossas comunidades. Ela enfatiza a necessidade de aprendizado das comunidades sobre o tema. Ela avalia que desconhecimento é o maior concorrente das cooperativas. “Se tivéssemos uma população mais consciente desse poder das comunidades, já estaríamos muito maiores”, completa.
Outro desafio, apontado por Gomes, é a falta de engajamento dos associados com as decisões internas da cooperativa. “Acaba que poucos acabam decidindo por muitos, o ideal era que se acompanhasse e participasse das assembleias, questionasse, reclamasse”, relata.