“Queremos que os jovens saiam daqui com vontade de se profissionalizar por suas potências”

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“Queremos que os jovens saiam daqui com vontade de se profissionalizar por suas potências”

Guy Barcellos - coordenador pedagógico do Museu Oceanográfico e do CCMar/Furg

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“Queremos que os jovens saiam daqui com vontade de se profissionalizar por suas potências”
Professor e alunos têm atuação voltada ao mar (Foto: Jô Folha)

Em Rio Grande, o Centro de Convívio dos Jovens do Mar (CCMar), vinculado ao Museu Oceanográfico da Furg, atua como centro profissionalizante para jovens em vulnerabilidade, mas, para além da formação, torna-se um espaço de socialização, cidadania e conhecimento. A instituição é financiada pela Transpetro e pelo Ministério Público do Trabalho, e voltada para a inclusão social com ênfase na mentalidade marítima.
Em entrevista ao programa Papo da Hora da rádio Pelotense, o coordenador pedagógico Guy Barcellos explica como esse trabalho acontece e de que forma impacta na formação dos jovens.

O que é o CCMar e o que ele representa?
Somos um centro associado ao Museu Oceanográfico da Universidade Federal do Rio Grande, que está vinculado à Pró-reitoria de extensão, então somos uma ação extensionista. Somos o braço social do Museu que tem todo o seu trabalho científico e também ecológico, com o Centro de Recuperação de Animais Marinhos. Atendemos com muita amplitude a comunidade de jovens em vulnerabilidade para cursos profissionalizantes. Nós já atendemos nestes 17 anos mais de cinco mil jovens. Eles realizam em um ou dois semestres um curso, entre os 15 ofertados, que são uma introdução ao mundo do trabalho, um convite à cidadania e à construção de um projeto de vida com emancipação, uma vez que, além da capacitação e conhecimentos técnicos, nós também oferecemos possibilidades de um convívio edificante e construtivo.

Como é a forma de ingresso?
Costumamos iniciar as aulas em março ou abril. Os que começam neste período são aqueles que se inscrevem no ano anterior. Em dezembro abriremos o edital e começaremos as visitas com a nossa assistente social para a triagem em janeiro. Isso acontece pois o número de inscritos é maior que o número de vagas e o critério é, de fato, a vulnerabilidade. Os nossos jovens são pessoas de famílias trabalhadoras, cuja renda per capita não supera meio salário mínimo. É um espaço dedicado aos pobres, às pessoas que não tem condições de pagar por um curso profissionalizante.

Qual é a proposta didática do CCMar?
Além do curso que oferecemos, temos dentro do currículo do semestre formação em direitos humanos, saúde pública, atividades de alfabetização científica e também de alfabetização e educação ecológica. O dia a dia é perpassado por propostas didáticas, em uma pedagogia crítica, de ludicidade, vivências e convívio positivo. Nós trabalhamos no nosso projeto pedagógico o eixo aprender a saber, aprender a ser e aprender a conviver. Esses aprendizados vão permitir que os jovens se insiram no mercado de trabalho portando uma consciência crítica e também crescer dentro dessas possibilidades. Aqui é o início da profissionalização. Muitos continuam seus estudos em cursos técnicos e na própria universidade, outros que depois de formados retornam para lecionar no CCMar. O que nós queremos é que os jovens saiam daqui com vontade de se profissionalizar tendo descoberto em si suas potências.

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