Enchentes poderão ser cinco vezes mais frequentes no RS

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Enchentes poderão ser cinco vezes mais frequentes no RS

Estudo alerta para vulnerabilidade do Estado para cheias rápidas e intensas

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Enchentes poderão ser cinco vezes mais frequentes no RS
(Foto: Jô Folha)

Com poucas ações desde a enchente histórica de 2024, a população gaúcha convive com o medo – especialmente as famílias mais vulneráveis. Entre os dias 21 e 23 de agosto, a Zona Sul passou por mais um episódio de inundações, que chegaram a afetar duas mil residências e deixar mais de 500 pessoas desalojadas e 39 desabrigadas apenas em São Lourenço do Sul. Com mais uma situação envolvendo a elevação nos níveis de rios e arroios, ficam os questionamentos: esse seria o nosso “novo normal”? O que pode ser feito para nos proteger? Onde está o erro?

A ciência já reconhece o aumento das chuvas extremas no Rio Grande do Sul como efeito das mudanças climáticas. Eventos previstos para ocorrer a cada 500 anos hoje são esperados a cada 30 anos, senão antes. De acordo com um estudo da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), eventos climáticos extremos, como as enchentes de 2024, poderão ser cinco vezes mais frequentes.

De acordo com o estudo, as enchentes também evidenciaram as “vulnerabilidades existentes no planejamento urbano, na gestão de recursos hídricos e na comunicação de riscos à população”.
A pesquisa também conclui que “o Rio Grande do Sul é particularmente suscetível a cheias rápidas e intensas”, por ser banhado por duas grandes bacias hidrográficas (Rio Uruguai e Lagoa dos Patos), que favorecem o escoamento rápido das águas.

Agravantes

O ano de 2024 foi o mais quente já registrado e 2025 estará entre os mais quentes. O aquecimento global favorece eventos extremos no Rio Grande do Sul, devido à sua localização, no meio caminho entre Amazônia e Antártica. Esse cenário é agravado nos anos em que ocorre o fenômeno El Niño.

Aliado à crise climática mundial, as respostas dos municípios e do Estado, frente aos eminentes alertas de eventos extremos, seguem a passos lentos.

Caso de São Lourenço do Sul

(Foto: Jô Folha)

Nos últimos temporais registrados no Rio Grande do Sul, a cidade de São Lourenço do Sul registrou um acumulado de chuva equivalente à média esperada para todo o mês de agosto em apenas 48 horas. Como consequência, o arroio São Lourenço transbordou e levou o município a decretar situação de calamidade pública.

(Foto: Jô Folha)

Em recente entrevista ao jornal A Hora do Sul, a engenheira hídrica e professora da UFPel, Tamara Beskow, explicou que em São Lourenço do Sul as chuvas intensas geram o chamado “escoamento superficial”, que chega rapidamente aos cursos d’água. Dessa forma, em grandes volumes, esses cursos d’água podem transbordar, ocasionando o atingimento do leito de inundação.

Para o coordenador da Defesa Civil Regional, tenente-coronel Márcio Facin, uma razão para o fenômeno pode ser a proximidade do município com mananciais hídricos, como a Lagoa dos Patos e o Arroio São Lourenço, além de ter populações às margens das águas – cerca de 1,2 mil famílias.

Outra bacia que recebeu volumes de água significativos foi a do Rio Camaquã, em Cristal, que registrou a oitava maior cota de inundação em 60 anos, chegando a 7,67m.

Alagamento ou Inundação

A inundação ocorre quando um rio transborda e invade áreas próximas, enquanto o alagamento é o acúmulo de água em áreas urbanas.

Os alagamentos ocorrem porque, muitas vezes, diante de chuvas intensas, os sistemas de drenagem apresentam falhas estruturais e operacionais, além de poderem falhar por estarem obstruídos, devido ao descarte inadequado de resíduos sólidos.

Na análise da hidróloga o aumento na frequência das chuvas intensas tem evidenciado que os atuais sistemas de drenagem são muito pequenos, diante dos novos padrões climáticos.

Medidas de prevenção

O comandante da Defesa Civil Regional cita como pilares da prevenção aos desastres climáticos, a mudança de comportamento e pensamento da população. “Nós temos que nos adaptar a ele, melhorando nossa capacidade de monitoramento e, principalmente, o nosso trabalho preventivo”, acrescenta Facin. Também destaca o cuidado com o meio ambiente, melhora na ação de resposta para cuidar das pessoas atingidas e avanço na capacidade de reconstrução.

O estudo da Agência Nacional de Águas aponta meios para “a construção de um futuro resiliente”, citando possíveis melhorias na infraestrutura, na cultura e na administração do Rio Grande do Sul:

Ampliar a cobertura em áreas críticas (como cabeceiras de bacias), implementar redundância nos sensores e reduzir o intervalo de transmissão de dados

Uso do conhecimento e tecnologia como aliados na prevenção de novos desastres e na reconstrução após a tragédia
Investimento em sistemas de alerta para reduzir perdas e danos

Desassorear RS

Uma das ações do governo estadual para reduzir o impacto das cheias está no Programa Desassorear RS, que pretende retirar sedimentos e acúmulo de resíduo do fundo de rios e arroios gaúchos. Esse fator climático natural, percebido em maior intensidade após as enchentes de 2023 e 2024 causaram o assoreamento de diversas localidades, fazendo com que muito material fosse transportado nos recursos hídricos e neles depositados, causando obstruções e agravando os episódios de cheias, alagamentos e enchentes.

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