Pontos cegos em cruzamentos aumentam risco de acidentes em Pelotas

Trânsito

Pontos cegos em cruzamentos aumentam risco de acidentes em Pelotas

Motoristas relatam dificuldades causadas por bloqueios visuais; prefeitura não tem levantamento dos locais mais críticos

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Pontos cegos em cruzamentos aumentam risco de acidentes em Pelotas
pontos cegos obrigam motoristas a avançar para conseguir enxergar o tráfego (Foto: Jô Folha)

Moradores e motoristas de Pelotas convivem quase todos os dias com dificuldade de visibilidade em cruzamentos. Árvores, veículos estacionados próximos às esquinas, tapumes de obras e até postes de publicidade criam pontos cegos que obrigam motoristas a avançar para conseguir enxergar o tráfego, aumentando o risco de acidentes. Enquanto isso, a prefeitura admite que não possui um levantamento consolidado dos pontos críticos.

O motorista Rafael Gouveia circula diariamente pelas ruas da cidade em função do trabalho. Ele relata que os bloqueios visuais nas interseções das ruas é um problema constante e grave. “Principalmente a questão do estacionamento”, ele conta, “muitas vezes os carros ficam muito perto da esquina e a gente não consegue ver ao cruzar”.

Gouveia também destaca outros fatores que dificultam a travessia, como tapumes de obras, falta de sinalização e a imprudência dos motoristas. “Em algumas ruas asfaltadas, o pessoal corre um ‘pouquinho’ mais e isso atrapalha”. Para ele, há locais em que a estrutura da via agrava ainda mais o risco: “Tem ruas muito fechadas. O motorista precisa entrar praticamente no meio da via para conseguir ver quem está vindo”.

Impactos reais para a segurança

A doutora em Engenharia de Produção e Transportes, Raquel Holz, reforça que a falta de visibilidade é um problema sério que impacta diretamente a segurança viária. “Quando motoristas não conseguem ver o tráfego que se aproxima, eles são forçados a invadir a interseção para ter uma visão mais clara, o que aumenta o risco de acidentes. Essa ação, por si só, já é perigosa”, explica.

Para a especialista, os pontos cegos vão além de carros mal estacionados ou tapumes de obras. Paredes e muros altos também formam barreiras visuais quase completas. Essas estruturas impedem que motoristas vejam o tráfego que se aproxima, sobretudo em vias estreitas. Ela cita ainda a influência da topografia, como inclinações ou lombadas perto das interseções: “Um veículo vindo em uma descida pode ficar fora do campo de visão de quem está subindo a ladeira”.

Raquel também alerta para a poluição visual nas esquinas, com os postes de luz, placas de sinalização, faixas de publicidade e até lixeiras, que podem bloquear a visão de veículos e pedestres que vão atravessar a via.

Falta de dados sobre pontos críticos

A prefeitura de Pelotas, por meio da Secretaria de Transporte e Trânsito (STT), esclarece que não há um número consolidado de pontos críticos, mas que “sempre que um cruzamento é identificado com risco para os usuários, a STT realiza avaliações técnicas e adota medidas corretivas para reduzir os pontos cegos”.

Entre as soluções já adotadas estão a proibição de estacionamento em trechos próximos às esquinas ou a destinação de espaço para motos, medidas que melhoram a visibilidade e a segurança. Quanto à vegetação que prejudica a visibilidade, a demanda é encaminhada à Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), responsável pela poda e manejo da vegetação urbana.

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