Depois de 15 dias de estabilidade de casos de dengue em Pelotas, três novos foram registrados na última semana, em moradores do Centro, passando 52 ocorrências confirmadas – 35 na cidade e 17 de pessoas que viajaram para outras localidades e retornaram infectadas. Para enfrentar esse quadro, conter o surgimento de focos e reduzir ou acabar com os existentes, a Secretaria Municipal de Saúde implantou um Ponto de Apoio (PA) na região afetada.
A diretora da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Vera Neto, explica que um PA é o local onde os agentes de combate a endemias se reúnem, programam as rotas diárias de trabalho e saem em equipes para identificação e eliminação de focos do Aedes Aegypti – mosquito transmissor da dengue. O Ponto de Apoio do Centro está localizado na sede da Secretaria de Saúde.
Paralelamente à intensificação do trabalho presencial de agentes – são dez em atividade -, a Secretaria de Saúde adota a aplicação de Fludora, produto de combate, em residências onde há identificação da presença de foco. A Vigilância em Saúde alerta moradores para a necessidade de receber os agentes, permitir vistorias e acolher orientações sobre as formas de impedir qualquer formação de novo foco. A fêmea do Aedes aegypti põe seus ovos em recipientes ou locais com água parada. É preciso eliminar ambientes favoráveis.
Números
De acordo com o boletim do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, divulgado às 8h35min desta sexta-feira, 476 notificações quanto à dengue já foram expedidas neste ano em Pelotas – 448 locais e 28 para residentes em outros municípios. Não há hospitalizados e não houve óbito pela doença. Seis casos permanecem em investigação e 418 estão descartados.
Nos bairros, os registros dos últimos sete dias apontam que o Fragata conta com 623 focos do Aedes identificados, enquanto nas Três Vendas o número se mantém em 344, assim como o Centro, com 156. No Areal, são 137, na Barragem, 85 e, no Laranjal, 54.
Preocupação regional
Nesta semana, a Vigilância Epidemiológica da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) confirmou a identificação do primeiro caso do sorotipo 3 (DENV-3) do vírus da dengue em Rio Grande. A notícia acende alerta para a saúde pública na região, uma vez que a circulação de um novo sorotipo viral aumenta o risco de ocorrência de casos graves da doença.
Até o momento, apenas os sorotipos 1 e 2 haviam sido registrados na área. A introdução do DENV-3, mesmo que a partir de um caso importado, representa um novo e perigoso momento no combate ao mosquito Aedes aegypti.
A principal preocupação das autoridades de saúde é o risco aumentado para a população que já teve dengue anteriormente. Segundo especialistas, uma segunda infecção por um sorotipo diferente do vírus tende a se manifestar de forma muito mais agressiva.