O Ministério Público do Rio Grande do Sul emitiu uma nota sobre uma fala supostamente racista de um promotor durante uma audiência em São José do Norte. A advogada que atuou no caso pediu que a frase: “se o réu tivesse recebido chibatadas quando criança, talvez, não estivesse sendo julgado naquele momento”, constasse na ata da sessão do Tribunal do Júri em São José do Norte.
No documento, o MP diz que não compactua com esse tipo de conduta. A instituição, ciente do ocorrido, já determinou a instauração de expediente administrativo para apuração dos fatos junto à Corregedoria- Geral do MPRS e tomará todas as providências legalmente cabíveis.
A defensora que representa o acusado, que é negro, a criminalista Aisllana Zogbi da Silva, esperou sua vez de falar e expressou seu total absurdo diante da fala e pediu para o promotor estudar o contexto histórico do Brasil. Ela atuava no júri pela Defensoria Pública e só não pediu a prisão em flagrante, por respeito à dinâmica do processo. Porém, após ouvir o promotor considerar que errou, mas ganhou o caso, ela o denunciou à Corregedoria.
Aisllana também atuou no caso da indígena que morreu no ano passado depois de ter 30% do corpo queimado em aparelho de fondue, em um restaurante no dia de sua formatura.