As ruas da região do Porto são o principal cenário de Vó África – Em Busca dos velhos trilhos, longa-metragem que começou a ser gravado em Pelotas oficialmente nesta semana. O filme é produzido pela Nação Produtora em parceria com a Antro de Criação. Com direção e roteiro de Nando Ramoz, e produção executiva de Gabi Barenho, o filme terá gravações intensas ao longo de todo o mês.
Cyro Silva, o personagem central da trama criada por Ramoz, será interpretado pelo ator César Mello, que está em Pelotas em preparação para atuar na obra. Já a atriz Roberta Rodrigues, que viverá a professora Margarida, chega nas próximas semanas para se juntar ao elenco. A produção também conta com artistas e técnicos locais e da capital, Porto Alegre, valorizando os talentos da região Sul do país.
O longa é ambientado entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, durante a ditadura militar, e mergulha nas histórias apagadas de personagens marginalizados. As gravações acontecem em espaços simbólicos da cidade, como a Casa Oca – principal locação – e os antigos trilhos do bairro Porto, onde circulará o bonde cenográfico construído especialmente para o filme.
Terceiro filme de Ramoz
O roteiro do longa nasceu, há dez anos, de um conto de Nando Ramoz chamado A velha e o bonde. Para concorrer ao edital de fomento da Sedac, o diretor ampliou esse texto e o contextualizou durante o regime de exceção. “É um filme complexo e triste, ele não faz concessões, tem três mortes, duas pela ditadura e a outra é da própria vó África, que morre atropelada logo no início”, contou Ramoz ao A Hora do Sul durante os primeiros encontros com a equipe pelotense que vai trabalhar na frente e por trás da câmera. A classificação indicativa é de 12 anos.
Esse é o terceiro filme que Ramoz dirige, o mais recente é o documentário Nação Preta do Sul. “Também foi filmado parte aqui, é um longa sobre a importância da cultura negra no Rio Grande do Sul. Aqui a gente entrevistou Kako Xavier, Daniel Amaro, Dilermando de Freitas. Ficou pronto no final do ano passado”, comentou o diretor.
Por edital
Para tornar esse projeto possível, Vó África conta com o apoio institucional da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Prefeitura Municipal de Pelotas. O longa é um projeto viabilizado pelos editais da Lei Paulo Gustavo, promovidos pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac).
