Até a próxima semana será iniciado o contrato para construção de quatro navios do tipo Handy no Estaleiro Rio Grande. A Ecovix já iniciou o processo de contratação dos primeiros trabalhadores e projeta um pico de até 1,5 mil empregos no começo de 2027.
Cerca de 150 trabalhadores já foram contratados pela empresa e agora passam por uma fase de qualificação intensiva no Senai em Rio Grande. Em entrevista ao programa Debate Regional, da Rádio Pelotense, o CEO da Ecovix, Robson Passos, garantiu que “a mobilização começa com 200, 300 e deve manter 800 ou 900 pessoas como uma quantidade média de colaboradores ao longo do contrato, e ter um pico daqui um ano e meio de 1,5 mil pessoas”.
Passos também destaca que a mão de obra qualificada da região é um diferencial competitivo para o Estaleiro Rio Grande. “Temos uma disponibilidade de quatro a cinco mil trabalhadores capacitados, muitos deles remanescentes da primeira fase do polo naval e que hoje estão disponíveis”, afirma.
No médio prazo, a empresa possui uma projeção mais ambiciosa, vinculada à conquista de novos contratos. A Ecovix participa da licitação da Transpetro para a construção de navios gaseiros – marcada para 20 de agosto – e tem interesse em novas obras da Petrobras e de embarcações para o mercado privado. Se confirmar esses projetos, a empresa estima a contratação de até quatro mil trabalhadores diretos, permitindo a continuidade dos serviços ao menos até 2030.
“Quando a gente fala em termos um dos contratos dos gaseiros, temos um horizonte aí de cinco a seis anos de contratos. Então a gente consegue manter essa mão de obra empregada. Essa é a nossa principal expectativa”, argumenta o CEO.
Passos prevê que, caso vença a licitação dos gaseiros, será possível realizar a construção dos gaseiros de forma paralela à finalização dos navios Handy, em áreas diferentes do estaleiro. “Enquanto um vai estar em conclusão no dique, o outro vai estar iniciando a fabricação nas fábricas. Tem uma simultaneidade, mas não em relação a áreas, sim em relação ao contrato”, explica.
A previsão é de que o primeiro navio Handy fique pronto em 2026, com as demais entregas previstas a cada seis meses até 2028.
Desmantelamento
Em paralelo à construção de novas embarcações, a Ecovix segue com o desmantelamento da plataforma P-32, em contrato com a Gerdau. O processo é considerado inovador no Brasil e serve de modelo para futuros descomissionamentos planejados pela Petrobras.
A plataforma chegou ao Estaleiro Rio Grande em dezembro de 2023, com previsão de término dos serviços em um ano e envio da sucata metálica para produção de aço em Charqueadas. Apesar disso, a descoberta de água oleosa e de óleo diesel marítimo no interior da embarcação gerou uma disputa sobre quem seria o responsável pela retirada, o que adiou o prazo de conclusão para o primeiro semestre de 2026.
Recuperação judicial
A retomada das atividades ocorre em um momento simbólico para a empresa. Após quase uma década, a Ecovix encerrou seu processo de recuperação judicial, o que, segundo o gestor, amplia a capacidade da empresa de buscar novos contratos, obter crédito e se consolidar como um dos principais estaleiros do país. “A gente vê a saída da recuperação judicial com muito entusiasmo, porque de fato nós teremos uma melhora significativa daqui pra frente”, afirma Passos.