Os efeitos do frio na pele

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Os efeitos do frio na pele

O Corpo e Mente foi em busca de dicas com especialistas que podem ajudar as pessoas a atravessar a estação com uma pele bonita e saudável

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Os efeitos do frio na pele
Os melhores hidratantes são aqueles com menos perfume. (Foto: Jô Folha)

Os gaúchos têm enfrentado dias de frio intenso e buscam de todas as formas se protegerem para não adoecer. Ambientes aquecidos, agasalhos, mantas, gorros, cachecóis e botas com forro de pelego nem sempre são suficientes para proteger o maior tecido do corpo: a nossa pele. Que o digam os nossos rostos e mãos, quase sempre expostos às variações climáticas.

O Corpo e Mente foi em busca de dicas com especialistas que podem ajudar as pessoas a atravessar a estação com uma pele bonita e saudável.

As dermatologistas Ana Eliza Bomfim Duarte e Joice Göebel, ambas integrantes da Sociedade Brasileira de Dermatologia, indicam uma boa hidratação da pele e do organismo, assim como evitar banhos muito quentes e usar produtos adequados ao tipo de pele.

Ana Bomfim explica que o frio pode fazer nas extremidades, mãos, pés e eventualmente até na orelha ou nariz uma vasoconstrição, que na verdade são os vasinhos sanguíneos que se fecham. “Começamos a ter menos sangue nas extremidades e por isso ficam mais frias. Isso começa a gerar processos inflamatórios”. Os sinais são percebidos pelo surgimento de lesões avermelhadas nessas áreas, que podem gerar um quadro mais leve – em forma de coceira.

Se houver evolução, a pessoa poderá ter uma artrite, que é uma inflamação das articulações. “Tem dificuldade de dobrar os dedos, movimentá-lo e sentir dor”, explica. “Em caso mais intenso, isso pode até ulcerar, fazer feridas na pele. Esse quadro se chama eritema pérnio ou perniose”, completa.

Joice Göebel, que também é professora na Universidade Católica de Pelotas, diz que a queixa mais frequente é o ressecamento da pele. Tanto pelas baixas temperaturas, quanto pelas consequências, como a prática de banho mais quente e mais demorado.

“A nossa pele tem um manto hidrolipídico, que faz a função de barreira, uma proteção. Com o frio, principalmente pelo uso de água quente do banho, essa camada de proteção, que serve para manter a hidratação, se perde”. O ressecamento excessivo, explica a professora, acarreta sintomas, como irritação de pele e coceira provocada pela perda da hidratação natural.

Confira as orientações das profissionais

Como é possível proteger a pele nesse período?

Por Joice Göebel

Medidas para minimizar esses danos podem começar na hora do banho, ou seja, optar pelos sabonetes mais hidratantes e cremosos. Existem sabonetes chamados syndet, que têm o pH mais próximo com o da nossa pele. Isso ajuda com que a pele resseque menos. Esses sabonetes sem sabão, porque eles não fazem essa ação detergente de eliminar a gordura. Podem ser encontrados em farmácias.

De um ponto de vista mais genérico, os mais cremosos como os das marcas Dove, Nivea e Johnson, são mais acessíveis e que também ajudam a pele a minimizar a ação de ressecamento excessivo pelo frio. A não ser que haja uma recomendação formal, é bom evitar sabonetes antibacterianos, porque eles acabam removendo mais a proteção e acaba gerando sintomas de alergias e coceiras de uma forma mais frequente. Evitar o uso de buchas e esponjas na hora do banho, a gente precisa ter a camadinha de gordura.

Por Ana Bomfim

Os sabonetes mais indicados são aqueles que não ressequem tanto a pele. Na verdade, não existe sabonete hidratante e sim aqueles que ressecam menos. Uma boa opção que a gente pode encontrar em algumas marcas no mercado são os óleos de limpeza.

Tem sabonetes com uma composição um pouco mais hidratante, mais oleosa e, muitas vezes, até formando um filme, uma película para proteger a pele. Além disso, evitar a lavagem excessiva das mãos, o álcool gel ou líquido, que acaba sendo muitas vezes utilizado, que é mais agressivo à pele.

Quais os hidratantes mais indicados?

Por Joice Göebel

Após sair do banho, ainda com a pele úmida, recém-seca pela toalha, é o momento ideal para se receber o hidratante. Os melhores hidratantes são aqueles com menos perfume, que geram menos irritações na pele e com maior poder de hidratação. Então, cremes e loções sem perfume são a nossa escolha, geralmente na prescrição, para uma pele mais ressecada.

O momento da hidratação e a frequência dela são muito importantes também. Além do após o banho, sempre que houver ressecamento, reaplicar o hidratante. Não existe um limite de vezes ao dia para o uso dele.

Em relação ao rosto, a gente sempre deve optar por hidratantes de acordo com cada tipo de pele. A seca é mais tranquila, pois a gente pode utilizar os cremes em geral, hidratantes. A pele oleosa também precisa ser hidratada, porém os pacientes acreditam que não há necessidade, e por isso tem a prescrição.

Por Ana Bomfim

Os hidratantes que a gente pode utilizar são aqueles que a gente considera mais densos e que tenham, por exemplo, glicerina, ceramidas, ácido hialurônico. Muitas vezes, que sejam enriquecidos com óleos com uma capacidade de hidratação maior a ponto de fazer uma barreira de proteção, evitando ressecamento e até a fissura.

A alimentação pode evitar o ressecamento da pele?

Por Ana Bomfim

Quanto aos alimentos, não tem nada muito específico. A alimentação balanceada sempre é boa para um padrão ideal da pele normal. A ingestão de água é importante, mesmo que no frio geralmente o mecanismo da sede fica menos ativado, as pessoas tendem a tomar menos água, mas é preciso lembrar e hidratar.

Por Joice Göebel

Além da ingestão de água, naturalmente o nosso organismo pede alimentos mais calóricos. Mas sempre uma dieta equilibrada é o segredo. Então, não se descuide da ingestão de frutas e legumes. Tudo isso auxilia no equilíbrio para a manutenção da pele, mas ressalta a importância da ingestão de água neste período.

Como lidar com os banhos quentes?

Por Ana Bomfim

Os banhos muito quentes têm uma capacidade de desengordurar a pele de uma forma muito intensa. A pele vai acabar liberando mais oleosidade depois para tentar compensar isso. Mas de uma forma mais imediata a pele fica mais seca, com mais fissuras, o que facilita a coceira, até o desenvolvimento de infecções, de fungos.

Então é importante evitar o banho quente. Claro que a gente está passando por uns dias muito intensos, então, o que eu digo sempre aos pacientes, é claro que não vai tomar banho frio. Mas tentar, se não consegue tomar um banho mais morno, encurtar o tempo do banho. Quanto menor a exposição, melhor.

E imediatamente, após o banho, já utilizar o creme hidratante. Quando a pele já está mais úmida, a absorção do creme hidratante é melhor. Então, a gente consegue ter uma potencialização da hidratação.

A pele sente se a pessoa permanece por tempo em ambientes aquecidos?

Por Joice Göebel

Se a pessoa fica muito tempo em ambiente com ar-condicionado, a pele também vai ficar ressecada, mas basta não descuidar da hidratação e aplicar o creme facial ou em áreas expostas, quantas vezes for necessário.

Em relação às trocas de temperatura, a pele também sofre um impacto especialmente para quem tem doenças de pele já em curso, como por exemplo, rosácea, que é uma doença inflamatória crônica da pele, muito reativa a mudanças de temperatura, tanto quentes quanto frias. Os pacientes sentem muito a piora da pele, vermelhidão, a sensação de calor na face é muito comum.

Outra questão que também surge nessa época é a popularmente chamada frieira, que nós chamamos de eritema pérnio. É uma sensação de inchaço e coceira que acontece nas extremidades, principalmente em dedos das mãos, e se dá pela constrição dos vasos periféricos causadas pelo frio.

Então, esses vasos contraem, depois dilatam, e isso gera uma reação na pele. A recomendação é manter as mãos aquecidas, com luvas e o uso de medicamentos quando necessário também está indicado.

Além da dermatite atópica, também existe uma outra condição que é justamente por ressecamento da pele, que é um eczema asteatósico, onde o ajuste é somente melhorar a hidratação. A psoríase também tende a piorar em meses mais frios.

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