Voluntários da enchente ganham data comemorativa em Pelotas

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Voluntários da enchente ganham data comemorativa em Pelotas

Dia municipal passa a ser celebrado em 13 de maio

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Atualizado segunda-feira,
30 de Junho de 2025 às 18:34

Voluntários da enchente ganham data comemorativa em Pelotas
A norma acompanha a autorização ao Poder Executivo criar um monumento em homenagem aos voluntários de Pelotas. (Foto: Arquivo pessoal)

No dia 13 de maio de 2024, o Canal São Gonçalo atingiu o nível da maior enchente que Pelotas já tinha vivido, até então, em 1941. Com as águas alcançando 2,88 metros, foi declarada situação de calamidade pública no município. Agora, a partir da lei 7.413, publicada ontem no Diário Oficial do Município, 13 de maio passa a ser o Dia Municipal dos Heróis Voluntários da Enchente, a partir de uma proposta feita pelo vereador Júnior Fox (PL).

A proposta é que, nesta data, a atuação daqueles que auxiliaram as centenas de famílias atingidas pelas inundações do ano passado seja relembrada. Além disso, a norma acompanha a autorização ao Poder Executivo criar um monumento em homenagem aos voluntários de Pelotas.

A data passa a integrar o calendário oficial do município e deverá contar com ações para demonstrar gratidão e reconhecimento do trabalho desenvolvido por grupos, entidades, empresas e todos aqueles que dedicaram-se a ajudar os pelotenses que foram atingidos pelo evento climático extremo.

Desde o início dos alertas de severidade, pessoas organizaram-se, em primeiro momento com o auxílio das redes sociais, para captar doações e identificar áreas da cidade que poderiam precisar de maior atenção e assistência. Com a água chegando até as residências, tiveram início mobilizações para retiradas de famílias e encaminhamentos para abrigos, onde mais pelotenses estavam envolvidos no acolhimento de quem mais precisava.

Auxílio na retirada de famílias

A enchente de maio do ano passado fez com que mais de 615 mil pessoas precisassem sair de casa no Rio Grande do Sul. Em Pelotas, centenas de famílias tiveram suas residências invadidas pela água e precisaram ser deslocadas para a casa de parentes ou para abrigos. Trabalho que foi desempenhado pelas forças de segurança da cidade e também por grupos de jipeiros, cujos veículos poderiam alcançar partes alagadas que outros não conseguiam.

William Suña, 35, foi um destes voluntários que utilizou seu veículo para resgatar pessoas na Colônia Z3 e no Laranjal. O gerente comercial faz parte do grupo de jipeiros Confraria Off Road que encontrou uma forma de unir suas paixões pelos jipes com o auxílio aos atingidos pelas águas. “Ajudamos a resgatar famílias onde nem os carros da polícia passavam, e se eles precisavam acompanhar alguma ocorrência e não conseguiam chegar com os veículos deles, nós levávamos”, destaca.

Um dos resgates mais marcantes para William foi de uma família e seus animais de estimação, onde os moradores não queriam deixar a casa sem estar todos juntos. “Nós não achávamos um dos gatos dessa família e eles não queriam abandonar o bichinho, mas já era noite e a água já estava na cintura, prometi que iríamos achar”, relembra.

Assistência do início ao fim

Rafaella e Felipe Bartz são um casal de fotógrafos que deixou as lentes de lado durante a enchente para se dedicarem inteiramente ao auxílio de quem mais precisava. Juntos de amigos e empresas que foram unindo-se à iniciativa, acompanharam famílias na Z3 do início ao fim do evento climático extremo. O grupo ajudou na retirada de famílias, entrega e captação de doações de alimentos e produtos de limpeza, além de conseguir mobílias para os atingidos já no processo de recuperação da enchente. “Íamos de casa em casa com uma listinha anotando o que cada um precisava para atender àquelas necessidades pontuais das famílias e garantir que as coisas iriam chegar mesmo até eles”, diz Rafaella.

A fotógrafa recorda de uma família que se recusava a deixar sua casa, mas o grupo conseguiu convencê-los e auxiliou no encaminhamento para atendimento médico de um dos membros que estava com problemas de saúde. “Ali eu entendi a tristeza daquela família de ter que deixar tudo o que conquistou para trás, mas a felicidade de sair conosco e estarem salvos. Ficamos sabendo depois que ele foi atendido e tudo ficou bem, isso me marcou demais”, conta.

Apoio aos desabrigados

O acolhimento de quem precisou sair de casa também contou com centenas de pelotenses que dedicavam seu tempo, todos os dias, para amenizar a apreensão daqueles que precisavam. Foram dezenas de abrigos e locais que abriram as portas para receber os desabrigados. Um destes locais foi o Cenáculo de Pelotas, que acolheu pessoas com algum tipo de deficiência ou necessidade de atendimento individualizado. Grupos de jovens e membros da Igreja Católica trabalharam de forma voluntária, um destes foi o corretor de consórcios Alcides Silveira, 40, que lembra da alegria dos momentos de entrega de refeições. “Eles tinham todas as refeições do dia, que eram feitas com muito carinho, e me marcou perceber que algumas pessoas ali não teriam acesso a isso em suas casas. Tenho filhos pequenos e vi as crianças felizes pois estavam se alimentando bem, isso me marcou muito”, relembra.

O voluntário também atuou, junto com integrantes da Paróquia Santo Antônio no Laranjal, no resgate de famílias no Balneário Valverde, outro ponto onde centenas de famílias perderam tudo o que tinham e encontraram no voluntariado a esperança para reconstruir suas vidas.

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