Nos últimos dois anos, Pelotas registrou 66 acidentes de trânsito fatais, resultando na morte de 70 pessoas. A maioria dos sinistros são atropelamentos com pedestres e colisões, ocorridas em vias municipais. Os motociclistas e os pedestres representam 40% das vítimas. Em média, 1,06 pessoa morreu em acidente de trânsito fatal no município.
Em 2024, das 33 mortes, 24 ocorreram em estradas municipais e nove em vias federais. Além disso, ao longo dos últimos dois anos, 13 pedestres foram atropelados e morreram nas ruas de Pelotas. Outros 25 óbitos foram de motociclistas. Entre a natureza dos acidentes, 12 foram colisões, seguidos por outros 22 de choques e colisões laterais.
A predominância de motociclistas entre as vítimas não é uma exceção da cidade. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), cerca de 40% das mortes no trânsito no país envolvem motociclistas. E Pelotas segue esse padrão, com 25 vítimas entre motociclistas, o que representa 35,7% do total de óbitos.
Coordenador da Engenharia de Transporte e Mobilidade da UFPel, o professor Fábio da Rocha considera que o número de mortes entre motociclistas pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo a velocidade excessiva, o uso inadequado de equipamentos de segurança (como capacetes) e o comportamento imprudente dos condutores em relação às normas de trânsito.
Falta de infraestrutura e de fiscalização viária
O professor destaca que, conforme o Relatório de Segurança Viária Global da Organização Mundial da Saúde (OMS), os atropelamentos são um dos tipos de acidente mais comuns e fatais, especialmente em áreas urbanas mal estruturadas. Isso devido à falta de infraestrutura adequada. “Como faixas de pedestres bem sinalizadas e a ausência de fiscalização de comportamentos imprudentes de motoristas, são fatores críticos que contribuem para esses índices elevados”, diz.
Além disso, segundo o especialista, os tipos de acidentes também demonstram um padrão de eventos fatais capazes de serem mitigados com políticas públicas mais eficazes. Entre os principais fatores que levariam a colisões e choques estariam o excesso de velocidade e a falta de manutenção e fiscalização viária. “Sendo que ações de fiscalização mais rigorosas poderiam diminuir significativamente esses índices”.
Fatores a serem considerados
Já a professora da UFPel e especialista em Engenharia do Transporte Terrestre, Raquel Holz, salienta que uma série de fatores podem estar por trás da quantidade de acidentes fatais. Entre eles o comportamento do motorista, como a condução sob efeito de álcool e distrações ao volante, bem como o das vítimas. Além do possível crescimento da frota e dos problemas na sinalização.