Com a tabela espelhada, o primeiro adversário do Brasil na Série D será também o último na fase de grupos. E os rubro-negros que viajarem em julho para o jogo da 14ª rodada, contra o Barra, testemunharão uma estrutura diferenciada. Fundado em 2013, o clube catarinense passa a contar nesta temporada com a nova arena, inaugurada em janeiro em espaço anexo ao moderno CT.
“O projeto é muito ambicioso. É um investimento alto que foi feito, uma estrutura que se compara às principais estruturas do futebol brasileiro e foi isso que me convenceu, que me brilhou os olhos para vir para cá. Não só do projeto esportivo, mas em termos de gestão”, diz o executivo de futebol do Barra, Marcus Vinicius Beck.
Ano passado, quando não passou da primeira fase da Série D, o Pescador mandou suas partidas no estádio Doutor Hercílio Luz, o Gigantão das Avenidas, casa do Marcílio Dias. A virada da temporada colocou a Arena Barra FC à disposição após quase três anos de construção. Os primeiros resultados na casa nova, entretanto, não foram positivos: o clube não avançou de fase no Campeonato Catarinense.

Eduardo Souza deixou o Marcílio Dias para retornar ao Pescador durante o Campeonato Catarinense (Foto: Tiago Winter)
Sem calendário nacional garantido para 2026, o Barra precisa subir para a Série C ou conquistar vaga na quarta divisão da próxima temporada por meio de um eventual título da Copa Santa Catarina. Para o executivo, apesar de o Pescador desenvolver um projeto de longo prazo, com investimento alto nas categorias de base, a subida de patamar do time profissional é crucial.
“Não tem como você falar em um projeto, mesmo que a longo prazo, sem o resultado esportivo. É óbvio que, o quanto antes o Barra ascender para divisões acima, isso vai fazer bem para o projeto como um todo. Só que a gente sabe também que a dificuldade da Série D é enorme, a nossa chave talvez seja uma das mais equilibradas”, avalia Beck.
Investimento na base
Atual vice-campeão catarinense sub-20, o Barra sustenta seu projeto nas categorias inferiores. O clube integra uma rede internacional ao lado do Hoffenheim, da Alemanha, e do Académico Viseu, de Portugal. O investimento na base facilita o intercâmbio de jovens e abastece o elenco principal.
A ideia é ter cerca de 30% do grupo formado por atletas criados no Pescador, como explica o executivo. “A cada ano que vai passando você consegue melhorar esses números até que chegue o momento que a gente consiga utilizar 50%, 60% dos jogadores da base, o que impacta em um menor gasto na hora de contratar jogadores”.
Do atual plantel, nove atletas são oriundos da base. Por outro lado, para os mais experientes, também existe atratividade nas negociações. “A gente consegue convencer jogadores a vir para cá pela qualidade de vida, pela qualidade que o clube oferece em termos de estrutura, salários em dia”, argumenta Beck.
Técnico tirado do “vizinho”
O rival do Xavante na abertura da Série D começou a temporada com Renan Brito como treinador. Após seis rodadas do Catarinense, a direção do Barra demitiu o ex-goleiro do Internacional e contratou Eduardo Souza, que já havia passado pelo Pescador. Só que o técnico estava no “vizinho” Marcílio Dias.
A saída do treinador do Marinheiro exigiu o pagamento de multa rescisória. Nove dias depois do anúncio, o Marcílio venceu o duelo direto por 2 a 0 no Gigantão das Avenidas, estádio distante oito quilômetros de carro da nova casa do Barra, e alguns torcedores imprimiram notas falsas de três reais para protestar contra Eduardo Souza.
Ainda no Estadual, o Barra virou notícia por conta de um gol anulado pelo árbitro Bráulio da Silva Machado depois do fim do jogo da última rodada da primeira fase, contra o Caravaggio. Se vencesse, o Pescador avançaria às quartas de final, mas acabou eliminado. O clube solicitou impugnação da partida no TJD-SC, porém o pedido foi negado.
Desempenho recente
Apesar de quase ter avançado aos mata-matas do Catarinense, o Pescador chegou à rodada final sob risco de rebaixamento. Na temporada, são duas vitórias, sete empates e duas derrotas. A base do elenco foi mantida, mas o meia-atacante Juliano, ex-Pelotas, destaque no Estadual, foi para o Joinville, outro time do grupo A8 da Série D.
“A estrutura é excelente, mas o futebol é mediano. Está no mesmo nível dos outros times, esse ano até um pouco abaixo, e não tem uma grande movimentação de mercado em termos de contratações, por exemplo. Mas é um clube bem organizado, então ele pode surpreender nesse sentido”, afirma o repórter Anderson Davi, do Diarinho, de Itajaí.
A direção acertou seis contratações desde o término do Catarinense. O destaque é o meia Péricles, 25 anos, que estava no Concórdia. Na intertemporada, o Barra fez dois jogos-treino, o último deles contra o Figueirense, em casa. Equipe da Série C, o Figueira venceu por 5 a 3.
O elenco comandado por Eduardo Souza conta, entre os nomes mais conhecidos, com o lateral-direito Marcelo, ex-Pelotas e Caxias, o zagueiro e lateral Vavá, também ex-Lobo, e o atacante Willians Santana, com passagens por Vitória, Bahia, Sport, América Mineiro e Palmeiras.
Mais sobre a estrutura
O complexo esportivo do Barra, às margens da BR-101, tem o estádio como destaque. A capacidade é para 5,5 mil pessoas, com acesso via leitores digitais e faciais e oito camarotes, por exemplo. Há, ainda, campos de treinamento para as categorias de base, desde o sub-15, até o time principal.
Alojamento para as categorias sub-15, sub-17 e sub-20, academia, sala de departamento médico, restaurante, espaço para estudos, prédio administrativo e outras instalações também fazem parte do complexo, localizado na divisa entre Balneário Camboriú e Itajaí.
Agenda
Série D | Grupo A8
1ª rodada
12 ou 13 de abril
(*) Brasil x Barra
Joinville x Guarany
São Luiz x Azuriz
Marcílio Dias x São José
* Jogo deve ser no domingo (13).