Recicle, projeto da Otroporto Indústria Criativa, alicerçado no conceito de economia circular dá um novo passo em direção da comunidade: capacitar, por meio de oficinas, mulheres sis e trans em vulnerabilidade, preferencialmente 60+, para o trabalho com o reaproveitamento de peças de vestuário. São 60 vagas distribuídas em seis turmas de dez integrantes. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo WhatsApp: (53) 99999-6883.
A formação ocorrerá durante dois dias, sempre às sextas-feiras e aos sábados. A primeira turma terá encontros nos dias 23 e 24 de maio e, na sequência, serão realizadas oficinas nos meses de junho, agosto, setembro, outubro e dezembro. Para estimular a participação, as inscritas recebem lanche, transporte e um auxílio no valor de R$100,00.
A ideia é atender pessoas com ou sem experiência em costura. Nesses dois dias de oficinas elas vão aprender um modelo de bolsa, desenvolvido pela coordenadora do Recicle, a artesã Mariana Heineck. Dessa forma, as participantes poderão aprender e colocar em prática em seguida.
“Além da sustentabilidade, ao dar vida útil a um material que seria descartado, você está capacitando outras pessoas, possibilitando que possam trazer renda pra sua casa através da costura, do upcycling”, comentou Mariana, ontem durante o lançamento da iniciativa. Além da coordenadora, as participantes terão o apoio da assistente de produção Quelen Gutierres Moreira e das oficineiras: Maureen Nogueira, Sônia Margarida Martins, Tânia Fonseca, Eva Marques Moreira e Estela Possapp. Todas se integraram ao projeto no ano passado, durante as cheias, quando se voluntariaram para aprender as técnicas de reciclagem para preparar caminhas para pets e cobertas para os desabrigados. “Queremos mostrar a elas que ao invés de destacarem as próprias roupas, por exemplo, elas podem se transformar em outros ítens”, disse Mariana. Para ajudar na questão comercial, a oficina ainda tange a gestão de negócios.
Uniformes da empresa
O projeto Recicle surgiu há quase dez anos como uma política da Sagres Agenciamentos Marítimos, que começou a promover o reaproveitando dos uniformes dos trabalhadores da empresa, evitando que fossem direcionados ao descarte. Esse material, que poderia parar no lixo, tomou um outro caminho, a partir de parceria com o Centro de Convívio Dos Meninos do Mar (CCMar), da Furg.
Os uniformes em ótimo estado recebem o logo da escola e abastecem a comunidade escolar. Os que não podem ser destinados ao uso, são separados dentro da empresa e depois encaminhados a dois projetos, que transformam esse material em novas peças.
Um desses projetos formou um grupo de mulheres que pertencem à comunidade da Barra do Rio Grande. De posse desses tecidos, elas produzem itens como bichinhos decorativos e acessórios. O outro se desenvolve em Pelotas, grupo Beija Flor, criado em parceria com a Beija Flor Natural Arte. O trabalho dessas mulheres é reciclar uniformes, cordas e ferraria de coletes, que viram ecobags, porta-plantas, veda-portas, cintos e bolsas.
Patram é parceira
O Recicle leva a esses grupos o conceito de economia circular. O material que seria descartado, depois de reaproveitado, é reinserido no mercado com um novo valor econômico. A própria Sagres, que oferece gratuitamente o material base para esses produtos, é quem adquire a produção dessas costureiras. “É uma produção permanente inserindo recursos dentro desses grupos, majoritariamente formados por mulheres de Pelotas e Rio Grande”, explicou o diretor de projetos Duda Keiber, da Otroporto.
Neste novo projeto do Recicle, a matéria-prima serão as fardas da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram), em desuso. As peças confeccionadas serão integralmente doadas à comunidade escolar vizinha da Otroporto e da zona portuária.
“É um projeto que nos encanta”, fala o presidente da Otroporto e diretor presidente da Sagres, Marcos Fonseca. A ideia é estimular outras empresas, que tenham esse descarte de uma forma equivocada ou tenha um custo associado, transforme isso em produto. Segundo Fonseca, os brindes com que a Sagres presenteia parceiros, por exemplo, são quase 100% oriundos de reciclagem e reaproveitamento dos uniformes e materiais.