O roubo a pedestre volta a assustar os estudantes do Porto. Na sexta-feira (28), em uma ação investigativa, agentes da 1ª Delegacia de Polícia Civil prenderam dois suspeitos, após terem sido identificados por imagens de câmera de segurança.
A expectativa é que com isso haja tranquilidade para quem frequenta a região e tem enfrentado a onda de assaltos que gerou até duas notas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Uma delas trata do atendimento especializado às vítimas e outra sobre as medidas adotadas com os órgãos de segurança. Além disso, uma publicação com notícias falsas sobre possíveis suspeitos também gerou indignação pela comunidade do colégio Félix da Cunha.
Desde o início de 2025, a Brigada Militar registrou nove ocorrências na região e destaca que a redução nesse tipo de crime é de 50% em relação ao ano passado. Mas no início da semana, uma onda de assaltos foi notificada pela UFPel às polícias. A BM aumentou o patrulhamento na região. Já a titular da 1ª DP, delegada Walquíria Meder, diz que a investigação transcorreu sobre os assaltos ocorridos nas imediações do Instituto de Ciências Humanas (ICH), na última segunda-feira.
Após o contato da instituição, foram repassadas as primeiras informações, imagens disponíveis nas câmeras da instituição e depoimentos. “Iniciamos as diligências para identificar as vítimas e os autores dos crimes, sendo representado pela prisão preventiva, cumpridas na manhã de hoje [sexta], com apoio do Serviço de Inteligência da Brigada Militar (P2)”, relata Walquíria.
Os suspeitos de 29 e 36 anos – um com a camiseta azul do Grêmio e outro com uma camisa vermelha, porém com bonés escuros, diferentemente da imagem divulgada nas redes – já estão no Presídio Regional de Pelotas (PRP). Na residência dos criminosos, ainda foi detido um foragido da região de Caxias do Sul.
Para a delegada, a resposta rápida aos crimes que leva mais sensação de tranquilidade ao meio universitário só foi possível em razão do empenho das instituições envolvidas. “O Ministério Público e o Judiciário mostraram-se sensíveis à urgência do caso, e deram especial agilidade aos pedidos encaminhados pela polícia”, destacou, ao ressaltar o apoio da UFPel na disponibilidade de conteúdo comprobatório.
Falsa acusação
Em nota, a UFPel condenou a divulgação em massa de imagens de dois estudantes do colégio Félix da Cunha como os supostos criminosos. Nos comentários, ameaças de linchamento. A universidade diz que repudia o fato e se refere ao uso da imagem como maneira equivocada e informações falsas sobre a autoria dos assaltos.
“Desde o primeiro momento, a UFPel tem acompanhado a situação, e a equipe da pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) já entrou em contato com a família e a escola das pessoas erroneamente associadas aos crimes”, diz a nota. A Instituição, junto com a direção da escola, fará ação conjunta de educação étnico-racial. Segundo familiares, os jovens não saem de casa com medo de represálias.
Walquíria pontua que durante a apuração dos fatos tomou conhecimento que estavam circulando em grupos de redes sociais a imagem dos adolescentes, apontados como suspeitos em função da semelhança na cor das roupas que vestiam com as dos criminosos.
“Isso não só atrapalhou as investigações, como pode gerar transtornos irremediáveis para pessoas inocentes, como no caso dos adolescentes que não possuem qualquer relação com os delitos”, frisa. A polícia solicita que qualquer informação sobre delitos praticados no Centro, podem ser dirigidos ao setor de investigação da 1ª DP, ou pelo telefone (53) 98427-6986.