Ary Alcântara queria que a comunidade decidisse sobre a derrubada de duas figueiras

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Ary Alcântara queria que a comunidade decidisse sobre a derrubada de duas figueiras

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Há 50 anos

O prefeito, Ary Alcântara, compartilhou com a comunidade um dilema: realizar uma importante obra viária ou manter duas figueiras centenárias na rua Senador Mendonça. Na época ele comentou que não queria ser o causador de um desequilíbrio ecológico.

Em entrevista coletiva em seu gabinete (sem revelar onde a árvore está localizada) comentou que só havia duas hipóteses viáveis para que ele mude de ideia: “Primeiro que o povo faça a derrubada da figueira e segundo, que expresse, através de um plebiscito municipal a sua vontade favorável de modo que o índice em prol da derrubada seja, no mínimo, de 51%”, falou na época.

Manifesto a favor das árvores

Imagem de 1975 mostra as duas árvores. (Foto: Reprodução)

O professor Odyr Odilon da Rocha foi à imprensa se posicionar contra a derrubada das figueiras da rua Senador Mendonça. Na opinião do educador, no local deveria ser construída uma área de recreação infantil. Ainda enfatizando a preservação ambiental, ainda sugeriu que fossem plantadas novas árvores, beneficiando a comunidade daquela região com uma área verde.

Uma das figueiras ainda permanece na rua e a Senador Mendonça prossegue por mais duas quadras até a rua Doutor Albuquerque Barros.

Para saber

O pelotense que dá nome à rua é o médico João Jacinto de Mendonça (1817-1869). Formado no Rio de Janeiro, aos 20 anos, voltou ao Sul e entrou na política. Foi deputado provincial gaúcho pelo Partido Conservador e, mais tarde, Senador pelo Rio Grande do Sul. Também foi presidente provincial do Estado de São Paulo, nomeado pelo Imperador, de 1861 a 1862. Mas para os gaúchos ficou mesmo conhecido como Senador Mendonça.

Fonte: Diário Popular/Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; blog Pelotas Capital Cultural

Há 100 anos

Intendência divulga novidades sobre o projeto e as obras do futuro Almoxarifado de Pelotas

A administração pública apresentou à comunidade o projeto do Almoxarifado Municipal, criado pelo arquiteto Fernando Rulmann, da firma Xavier Duarte. De acordo com o intendente (prefeito da época), Augusto Simões Lopes, o prédio ofereceria a possibilidade de a intendência manter estoques permanentes. A ideia era promover a economia dos recursos.

A execução do projeto, encomendado em dezembro de 1924, ficou sob responsabilidade do engenheiro Paulo Gertum, que assinou o contrato de execução em 3 de fevereiro de 1925. A obra do prédio, localizado na rua Benjamin esquina com Santa Cruz, custou aos cofres públicos 205 contos de réis. A promessa era de término em cinco meses.

A Xavier Duarte chegou a entrar na concorrência, mas o preço da obra era de 235 contos de réis e o prazo de oito meses. Também participou da licitação a empresa Rodrigues, que orçou a obra em 217:620 contos de réis.

Gertum sugeriu, dentro do orçamento aprovado e sem prejuízo do projeto, alguns detalhes novos e modificações que visavam a maior estabilidade e a estética do edifício, na opinião do arquiteto.

Detalhes

O arquiteto também aconselhou reforçar as galerias internas. A obra teve início ainda em fevereiro e em 26 de março era possível perceber que as paredes começavam a ser levantadas.

Além do pavilhão principal, com 75 metros pela Benjamin e 20 metros pela Santa Cruz, onde se alojaram o escritório e os depósitos de ferragens, ferramentas e material hidráulico e de esgotos, divididos e independentes por seções previa o projeto outro pavilhão para apetrechos de gás, oficina para obras, depósito de ferraria e tintas. O projeto ainda previa outros dois alojamentos para instalações sanitárias para uso dos funcionários e do guarda noturno.

Fonte: Diário Popular/Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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