Setores como construção civil e de serviços estão com dificuldades de contratação em Pelotas. A falta de mão de obra capacitada e especializada é um dos principais problemas enfrentados por construtores, especialmente nas áreas de reboco, pintura, gesso, instalação cerâmica e eletricista. Na área de serviços, uma das dificuldades enfrentadas está na rotatividade entre os profissionais contratados.
Conforme o integrante do Sinduscon Pelotas e construtor, Mateus Ehlert, a situação da mão de obra na construção civil nunca foi boa, pois existe uma escassez de profissionais capacitados e especializados. “Sempre quando há uma demanda por habitação, há uma piora. No período da pandemia onde houve um crescimento na procura de imóveis, a mão de obra qualificada era praticamente impossível de achar”, relembra.
Para a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Pelotas (AEAP), um dos problemas enfrentados não se deve por falta de interesse em trabalhar na área, mas pela baixa oferta de cursos que promovam a qualificação. “Precisamos conscientizar o governo e as escolas que esse mercado gira nossa economia. Temos que buscar mais incentivos para fornecimento de cursos de aperfeiçoamento”, avalia a vice-presidente da AEAP, Vivian Magalhães.
Em função da falta de alguns profissionais, como pedreiro, encanador, eletricista de obra, azulejista, rejuntador, ferreiro, por exemplo, é comum a busca de mão de obra de outros estados e outros países. “Procuramos sempre em primeiro lugar a mão de obra local. Na falta, recorremos a outros estados que já tem suas expertises em determinados serviços”, explica Ehlert.
Cursos de qualificação
Tanto a AEAP quanto o Sinduscon, junto ao Senai, disponibiliza sistematicamente capacitações para carpinteiro de obras, encanador predial, assentador de revestimentos cerâmicos, pedreiros de alvenaria, montador de andaime e eletricista predial. “Temos ações para divulgar e trazer o maior número de colaboradores interessados em crescer profissionalmente”, diz Ehlert.
De acordo com Vivian, a Aeap vem buscando parcerias com algumas empresas, disponibilizando palestras aos profissionais e ouvindo as demandas de necessidades. “Nosso olhar está voltado a buscar formas de fomentar essas profissões para que elas permaneçam existindo e com aperfeiçoamento de mão de obra qualificada”, diz.
Comércio e serviços
Também enfrentando problemas na hora da contratação, o setor de serviços vem se apoiando na contratação de estagiários e menores aprendizes. “Quando estas pessoas se adaptam a função são contratadas”, comenta o presidente da Aliança Pelotas, Jorge Almeida.
A área do comércio, entretanto, não vem enfrentando desafios na busca de profissionais, avalia o presidente do Sindilojas Pelotas, Renzo Antonioli. “Temos um número significativo de pessoas bem qualificadas que estão buscando emprego. Com a oferta das vagas temporárias, muitas delas optam por voltar ao mercado de trabalho agora e chegam com uma formação bem razoável”, diz.