Pelotas é uma cidade comercial. Os dados do Caged, mês após mês, apontam que nossa economia está nesse setor e nos serviços. Por isso, não surpreendem as reportagens publicadas na edição de fim de semana, que mostrava o otimismo para o comércio de televisores e decorações para a Copa do Mundo, e de segunda-feira, indicando tendência de aumento nas compras para o Dia dos Namorados. Datas comemorativas e situações pontuais estimulam o consumo e, dada a vocação principal da cidade, é fundamental que sejam criadas também provocações que fortaleçam ainda mais esse setor.
O comércio sofreu um baque com a digitalização do consumo, isso não é segredo para ninguém. Estamos vendo uma mudança no perfil do Centro da cidade, com cada vez mais lojas de coisas rápidas, voltadas àquela compra rápida e barata. Em contrapartida, o Shopping se fortaleceu por outro perfil: ter serviços agregados. Por isso, a área Central tem por obrigação criar atrativos. Vemos isso no Natal, na época da Feira do Livro, do Festival de Música e do Dia do Patrimônio. Portanto, criar cada vez mais atrativos é o caminho natural.
Para isso, o Centro também precisa se tornar mais convidativo. É fundamental que pontos básicos sejam encarados com seriedade pelo tripé formado por poder público, entidades e empresários. Temos desafios enormes, como o grande número de pessoas em situação de rua e a deterioração da infraestrutura, por exemplo. Tudo isso vem sendo constantemente cobrado, mas não foram apresentadas soluções sólidas. A criação de rotinas de eventos, de chamarizes para o público e estímulos para que as pessoas circulem por essa área e, consequentemente consumam, precisa ser pensada e estruturada.
Tudo isso vem com diálogo. Rio Grande, por exemplo, discute se os parquímetros afastam pessoas do Centro. Porto Alegre fala em reurbanização da sua região central. É um desafio para todas as cidades, mas em Pelotas é ainda mais sensível dado o nosso perfil comercial. Fortalecer o consumo no Centro é fortalecer também a geração de empregos e rendas da nossa principal veia econômica até o momento.
