De uma estreia segura a um alerta necessário

Opinião

Marcelo Prestes

Marcelo Prestes

Apresentador e narrador

De uma estreia segura a um alerta necessário

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Num começo de trabalho, oscilações são naturais, ainda mais para uma equipe que está iniciando a temporada. É importante lembrar que o Grêmio Esportivo Brasil está apenas começando o seu 2026.

Na estreia, no Bento Freitas, o Brasil deixou boa impressão diante do Azuriz. Se impôs, teve variações, especialmente no meio-campo, e controlou a partida. Júlio Simas, Venicio, Germano e Daniel participaram bem de um setor que funcionou e sustentou a proposta de jogo. Também é verdade que o adversário pouco exigiu, o que facilitou o cenário. Ainda assim, era o tipo de atuação que animava, principalmente pela postura dentro de casa, onde o Brasil costuma ser forte e precisa construir sua campanha.

Mas o futebol muda a cada 90 minutos e o teste seguinte, diante do Blumenau, escancarou problemas que já eram apontados como possíveis. Durante a semana, se falava que seria um jogo-chave para avaliar o sistema defensivo. Foi mais do que isso, foi um alerta.

O Brasil não funcionou. O meio-campo não conseguiu repetir a atuação da estreia, perdeu intensidade e deixou espaços. A defesa, por sua vez, foi frágil, principalmente nos duelos pelos lados. Os extremos e laterais do Blumenau encontraram facilidade, e os erros individuais pesaram.

E há um ponto que chamou a atenção em Blumenau. O Brasil conseguiu piorar mesmo com um jogador a mais durante boa parte do jogo. Com superioridade numérica, era o momento de crescer na partida, impor ritmo e buscar a reação, mas aconteceu o oposto. A equipe se desorganizou ainda mais e acabou sofrendo três gols, mostrando uma dificuldade coletiva que vai além de um simples ajuste.

A expulsão de Yuri até freou uma possível reação depois do gol de Tanque, mas nada além disso aconteceu e o cenário não mudou. O Brasil nunca conseguiu se encontrar na partida.

Individualmente, também houve queda. Germano não repetiu a boa atuação da estreia e, no lance do pênalti, foi completamente envolvido pelo bom lateral João Vitor. Venicio apenas acompanhou no início da jogada do primeiro gol, enquanto Júlio Simas ficou abaixo do que havia apresentado na primeira rodada. No setor defensivo, a linha inteira teve dificuldades, um sinal claro para a comissão técnica corrigir pensando nos próximos jogos.

É sinal de alerta? Ainda não no sentido de crise, mas é, sim, um aviso importante de que ajustes precisam ser feitos, e rápidos.

Com mais uma semana de trabalho e a chegada de reforços como Robinho e Robson, o técnico Gilson passa a ter mais opções, principalmente para o setor ofensivo. Mas o principal está atrás, organizar a defesa, ajustar a marcação e exigir mais atenção dos volantes.

Se precisar mudar, vai ter que mudar. A competição está apenas começando e esse tipo de oscilação faz parte. O problema não é oscilar, é não corrigir.

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